Fraude em Guarulhos envolveu pagamento a servidores e foi descoberto após emissão de certidão de óbito falsa

Lívia Gennari Publicado em 19/10/2025, às 15h00
Para escapar da Justiça, o falso médico, Fernando Henrique Dardis, que se passava por Fernando Henrique Guerrero, gastou cerca de R$ 5 mil para forjar a própria morte em Guarulhos, na Grande São Paulo. Para realizar o falso enterro utilizou o corpo de uma pessoa não identificada, segundo investigação da Polícia Civil e do Ministério Público de Sorocaba.
As investigações apontam que o esquema contou com o provável auxílio de servidores municipais, ligados ao serviço funerário e ao setor de controle de óbitos, que teriam liberado irregularmente o corpo para o enterro falso. Documentos do processo indicam que valores entre R$ 3 mil e R$ 8 mil foram negociados, mas o pagamento registrado pela polícia foi de aproximadamente R$ 5 mil.
Segundo o Ministério Público, os servidores teriam sido acionados para “liberação de corpo não reclamado”, permitindo que o cadáver fosse usado na simulação do enterro de Fernando. Há indícios de que a operação envolveu a exclusão de registros no sistema de controle de óbitos e a emissão de uma certidão de óbito falsa.
O relatório da Delegacia Seccional de Guarulhos detalha que o corpo utilizado “não correspondia ao de Fernando Henrique Dardis, mas sim a um cadáver retirado irregularmente do serviço funerário municipal, com fortes indícios de conluio entre servidores públicos e o réu, intermediado por funcionário terceirizado”.
Acusações e prisão
Além da fraude do enterro, Dardis responde a outras acusações por fingir ser médico e pelo homicídio de duas pacientes, enquanto atuava ilegalmente como clínico geral em Sorocaba, utilizando um diploma falso. Ele também já foi condenado por lesão corporal a uma terceira paciente, cujo diagnóstico de câncer foi atrasado.
Fernando Henrique Dardis se entregou à polícia em 24 de junho deste ano, no 1º Distrito Policial de Guarulhos, acompanhado de um advogado. O juiz Emerson Tadeu Pires de Camargo, de Sorocaba, revogou o reconhecimento do óbito falso e determinou sua prisão preventiva.
O Ministério Público solicitou investigação autônoma para apurar crimes de falsidade ideológica, obstrução da Justiça, corrupção e vilipêndio de cadáver. O Gaeco segue investigando o envolvimento de servidores municipais e a rota do pagamento pelo corpo. O caso tramita sob sigilo devido à gravidade das acusações.
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