Renê da Silva Nogueira Júnior se declarou autor do disparo que matou Laudemir Fernandes, alegando que foi um mal-entendido

William Oliveira Publicado em 27/08/2025, às 10h23
O empresário Renê da Silva Nogueira Júnior, que assumiu a autoria do disparo que matou o gari Laudemir de Souza Fernandes em Minas Gerais, descreveu o ato como um “acidente” em carta enviada ao seu ex-advogado.
A carta, recebida nesta segunda-feira (26) pelo advogado Dracon Luiz Cavalcante Lima, menciona um mal-entendido sobre a troca de defensores legais e solicita a participação de Dracon, de Minas Gerais, e do novo advogado criminalista Bruno Silva Rodrigues, do Rio de Janeiro, em sua defesa.
A forma como Renê se refere ao homicídio gerou estranhamento nas autoridades. Ele escreveu: “O que aconteceu foi um acidente com a vítima”.

Durante depoimento, Renê relatou que utilizou uma arma da esposa, delegada da Polícia Civil de Minas Gerais, sem que ela tivesse conhecimento do uso não autorizado.
O empresário responde por homicídio duplamente qualificado, porte ilegal de arma e ameaça. Desde o crime, ele permanece detido aguardando a conclusão do inquérito.
Inicialmente, Renê negou envolvimento e atribuiu seu comportamento ao uso de medicamentos controlados, relatando que naquele dia saiu do trabalho, passeou com os cães e foi à academia, sem mencionar que passou pela via do crime.
Câmeras de segurança registraram o momento em que ele disparou contra Laudemir e guardou a arma utilizada.
O crime ocorreu em 11 de agosto, quando Laudemir, 44 anos, realizava coleta de lixo no Bairro Vila da Serra, em Nova Lima, região metropolitana de Belo Horizonte. Renê, 47 anos, é apontado como principal suspeito.
Segundo o boletim de ocorrência, Laudemir e outros garis permitiram a passagem do veículo do empresário. Renê abaixou o vidro e ameaçou matar caso alguém encostasse no carro. Ao descer alterado do veículo, disparou contra o grupo.
Uma testemunha, Tiago Rodrigues, declarou que Renê agiu com frieza: “Assim que atirou, ele entrou no carro como se nada tivesse acontecido e foi embora”. Tiago tentou socorrer Laudemir, que não resistiu aos ferimentos.
A localização de Renê foi facilitada por informações de testemunhas e análise de câmeras de segurança. Mesmo preso no estacionamento de uma academia, ele negou envolvimento com o crime.
Em 15 de agosto, a Polícia Civil confirmou que a arma usada pertencia à esposa do suspeito, delegada Ana Paula Balbino Nogueira, e a perícia de microbalística confirmou a compatibilidade entre a arma, munições e o disparo. Desde então, Ana Paula está sob investigação da Corregedoria da Polícia Civil de Minas Gerais por possíveis irregularidades.
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