Esquema envolvia pagamentos para acelerar registros de veículos em Saltinho

Lívia Gennari Publicado em 20/10/2025, às 15h58
Um ex-funcionário do Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo (Detran-SP) foi condenado por corrupção após se envolver em um esquema de propina que acelerava processos de documentação de veículos. O caso aconteceu em Saltinho, cidade do interior paulista que tem cerca de 8 mil habitantes.
O ex-servidor perdeu o cargo público e recebeu pena de 2 anos e 8 meses de prisão, convertida em prestação de serviços à comunidade e pagamento de cinco salários mínimos. Três homens ligados a um escritório de despachantes também foram condenados, com penas similares.
Durante o processo judicial, o ex-servidor voltou atrás em sua confissão, alegando ter sofrido coação psicológica. Tanto ele quanto os réus ligados ao escritório de despachantes negaram as acusações.
Como funcionava o esquema
Segundo denúncia do Ministério Público de São Paulo (MPSP), o servidor usava seu acesso ao sistema do Detran para facilitar autorizações e registros que deveriam passar por conferência regular. Entre janeiro de 2022 e janeiro de 2023, ele recebeu R$ 168,2 mil em propina.
O esquema foi descoberto após uma auditoria interna do Detran identificar movimentações incompatíveis com a demanda do município. Em um único dia, o servidor chegou a realizar mais de 700 transações no sistema. Trocas de mensagens entre os envolvidos revelaram que eles usavam códigos como “peixe”, “onça” e “chocolate” para se referir aos pagamentos.
Em janeiro de 2023, o ex-servidor foi alvo de operação do Departamento de Investigações Criminais (Deic). Mandados de busca e apreensão resultaram na apreensão de cerca de R$ 170 mil, documentos, notebooks, pendrives e celulares que ajudaram nas investigações.
Em depoimento à polícia, chegou a admitir que recebia R$ 10 por cada processo agilizado e cerca de R$ 6 mil em espécie a cada 15 dias. O valor era entregue em um local público da cidade.
O que diz o Detran-SP
Em nota, o Detran-SP afirmou que, ao identificar o caso, acionou imediatamente a Polícia Civile a Controladoria-Geral do Estado, instaurando processo disciplinar que resultou no desligamento do servidor em abril do ano passado. O órgão ressaltou que vem fortalecendo continuamente sua estrutura de integridade e controle institucional.
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