Família não tem condições de custear translado do corpo para Alagoas, enquanto investigação segue aguardando a confirmação genética para avançar

Lívia Gennari Publicado em 17/08/2025, às 17h37
O corpo de Jeferson de Souza, de 23 anos, assassinado por policiais militares em 13 de junho, segue no Instituto Médico Legal (IML) de São Paulo, após dois meses do crime. A família do jovem, que reside em Alagoas, afirmou não ter condições financeiras de arcar com o translado do corpo até o estado natal.
Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), a investigação está a cargo do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). A equipe já contatou os familiares e os encaminhou à Defensoria Pública de São Paulo, que deve auxiliar na organização do transporte do corpo.
Contudo, antes de qualquer deslocamento, a Polícia Científica precisa confirmar oficialmente a identidade de Jeferson. Como ele nunca teve documento de identidade emitido, o reconhecimento por impressões digitais não é possível.
O Núcleo de Biologia e Biotecnologia (NBB), da Superintendência de Polícia Técnico-Científica (SPTC), trabalha para coletar material genético dos familiares diretamente em Alagoas. Apesar disso, a SSP afirma que o DHPP já possui elementos que permitem identificar a vítima com “alto grau de confiabilidade”.
Relembre o caso
O caso ganhou repercussão nacional pelo modo como ocorreu. Jeferson foi morto com três tiros de fuzil, um na cabeça e dois no tórax, na Rua da Figueira, sob o Viaduto 25 de Março, na região central da cidade. O registro oficial da ocorrência aponta que a vítima teria sido abordada “em atitude suspeita” e que teria resistido, tentando tomar a arma de um dos policiais, justificando os disparos.
No entanto, imagens da câmera corporal de um dos agentes mostram que Jeferson estava rendido no momento do crime, sem armas, e chegou a chorar antes de ser executado. A vítima foi socorrida e levada à Santa Casa, mas não resistiu aos ferimentos.
O episódio levou à prisão preventiva dos policiais envolvidos, acusados de homicídio qualificado após a divulgação das imagens das câmeras corporais, que contrariam a versão oficial apresentada pelos agentes.
Apesar da defesa dos PMs sustentar que houve legítima defesa, o coronel Emerson Massera, porta-voz da Polícia Militar, considerou a ação "inaceitável", reconhecendo que as gravações desmentem os relatos dos agentes e ferem os princípios básicos da corporação.
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