Jeferson de Souza foi morto em 13 de junho durante uma abordagem da Polícia Militar no centro de São Paulo

William Oliveira Publicado em 07/08/2025, às 09h21
Jeferson de Souza, jovem de 24 anos e filho único entre cinco irmãos, teve sua trajetória marcada por tragédias familiares profundas. Ele perdeu a mãe para o câncer e o pai, vítima de assassinato — episódios que moldaram uma vida cercada de desafios.
Natural de Craíbas, no interior de Alagoas, Jeferson deixou sua cidade natal em busca de novas oportunidades. Em São Paulo, encontrou empregos temporários em pizzarias e sonhava em se tornar jogador de futebol.
"A minha mãe faleceu. A gente não tem mãe nem pai. Ele foi embora em busca de trabalho. Ele tinha um sonho muito grande de ser jogador de futebol. Foi em busca de melhora", lembra a irmã, Micaele Soares.
Mas a realidade na capital foi dura. Sem estabilidade, acabou vivendo nas ruas e se envolvendo com substâncias ilícitas. "A gente tentou ajudar, mas quem está no vício sabe como é difícil sair", desabafa Micaele.
Em 13 de junho deste ano, Jeferson foi morto durante uma abordagem da Polícia Militar no centro de São Paulo. O caso resultou na prisão preventiva dos policiais envolvidos, acusados de homicídio qualificado após a divulgação de imagens das câmeras corporais — que contradizem a versão oficial apresentada pelos agentes.
As gravações revelam que Jeferson estava desarmado e rendido no momento em que foi atingido por três disparos de fuzil. A cena chocou a família e provocou indignação. "Quem deveria proteger, foi lá e tirou a vida dele. Nada justifica tirar a vida de um ser humano", disse Micaele.
A irmã descreve Jeferson como generoso e prestativo: "Ele era muito bom, doce e sempre ajudava o próximo". No entanto, o impacto das imagens permanece. "Desde que vi aquilo, não consigo dormir nem comer. É uma dor que não tem explicação", afirma.
O corpo de Jeferson segue no Instituto Médico Legal (IML) da capital, e a família enfrenta dificuldades para realizar o translado até Alagoas. O custo estimado é de R$ 15 mil, e a família busca apoio junto à Defensoria Pública para conseguir repatriar os restos mortais.
O caso evidencia um problema estrutural maior: o aumento da letalidade policial em São Paulo. Dados apontam que, em 2024, quatro em cada dez homicídios na cidade foram cometidos por policiais.
Embora a defesa dos PMs alegue legítima defesa, o coronel Emerson Massera, porta-voz da Polícia Militar, classificou a ação como "inaceitável", reconhecendo que as imagens desmentem a versão dos agentes e violam os princípios fundamentais da corporação.
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