João Paulo Manoel, conhecido como Capitão Hunter, é acusado de produzir conteúdo pornográfico e abusar de adolescentes em São Paulo; polícia investiga a possibilidade de novas vítimas

William Oliveira Publicado em 10/12/2025, às 11h28
João Paulo Manoel, de 45 anos, conhecido como Capitão Hunter, foi indiciado pela Polícia Civil do Rio de Janeiro pelas acusações de estupro de vulnerável e produção de conteúdo pornográfico envolvendo adolescentes. Em decorrência das evidências apresentadas, a polícia solicitou a conversão de sua prisão temporária em prisão preventiva.
A investigação revelou desdobramentos que transcendem as fronteiras estaduais. Informações coletadas pela polícia carioca foram enviadas a São Paulo, que agora é a responsável pelo caso e está apurando a possível existência de novas vítimas em outras regiões do Brasil.
A captura de João Paulo ocorreu em Santo André, na região metropolitana de São Paulo, por meio de uma operação conjunta entre as polícias civis do Rio de Janeiro e de São Paulo.
Os investigadores também analisam relatos sobre outras possíveis vítimas, incluindo um menino de apenas 11 anos que, conforme os depoimentos, teria compartilhado imagens de natureza sexual com o influenciador.
De acordo com a investigação, uma das adolescentes afetadas declarou ter sido alvo de múltiplos abusos sexuais pela internet. O influenciador teria solicitado que ela enviasse fotos íntimas em troca de cartas ou bonecos do universo Pokémon.
A jovem ainda relatou ter recebido em duas ocasiões imagens do pênis do suspeito pelo WhatsApp e, em outras duas, por meio da plataforma Discord. As gravações dessas conversas foram entregues às autoridades competentes e corroboram as alegações. Testemunhas também confirmaram as declarações feitas pelas vítimas.
A denúncia que resultou na investigação partiu da família de uma menina de 13 anos que mantinha contato frequente com João Paulo por meio de aplicativos como Discord e WhatsApp. Segundo o relato da jovem à polícia, o youtuber teria realizado videochamadas nas quais exibiu seu pênis e pediu que ela mostrasse partes íntimas.
De acordo com os familiares da menina, uma mensagem interceptada enviada por João Paulo dizia:
"Amigos fazem isso, mostram a bunda um para o outro, isso são coisas de amigos e você é minha melhor amiga."
A adolescente também relatou ter sido alvo de múltiplos abusos sexuais ao longo do ano, incluindo pedidos de envio de conteúdos sexualizados em troca de cartas e bichos de pelúcia relacionados ao universo Pokémon. O inquérito revelou que o influencer teria enviado fotos do próprio pênis em diversas ocasiões pelas plataformas mencionadas.
A investigação qualifica João Paulo como "um abusador com elevado grau de periculosidade", que atraía crianças por meio de um perfil falso para estabelecer confiança e, posteriormente, assediá-las. A delegada responsável pelo caso destacou a relevância da investigação, enfatizando que a liberdade do youtuber representa um risco para diversas crianças, dada a forma como ele interage com seu público infantil.
A adolescente conheceu João Paulo em 2023 durante um evento sobre Pokémon no Norte Shopping, no Rio de Janeiro. Desde então, mantiveram contato online após ele prometer apoio à sua carreira nos jogos eletrônicos. O inquérito verificou que, após esse primeiro encontro, os dois tiveram apenas mais um contato pessoal durante outro evento em São Paulo.
A polícia obteve gravações das conversas que confirmam as práticas criminosas atribuídas ao influenciador. A investigação revelou que ele também teria abordado um menino de 11 anos utilizando táticas semelhantes.
Durante a operação policial, todos os dispositivos eletrônicos do suspeito foram apreendidos e a justiça concedeu autorização para a quebra de sigilo dos dados armazenados.
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