Diário de São Paulo
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INVESTIGAÇÃO FINANCEIRA

BRB comprou R$ 1,5 bilhão em fundos ligados à Reag após operação da PF

Documentos revelam que banco adquiriu ativos com características semelhantes a fraudes investigadas na Operação Carbono Oculto.

Banco realizou operações bilionárias com ativos sob suspeita mesmo após alertas internos e investigações da Polícia Federal. - Imagem: Andre Richter / Foto de Arquivo
Banco realizou operações bilionárias com ativos sob suspeita mesmo após alertas internos e investigações da Polícia Federal. - Imagem: Andre Richter / Foto de Arquivo

Redação Publicado em 07/04/2026, às 10h37


O Banco de Brasília (BRB) adquiriu R$ 1,5 bilhão em ativos de fundos administrados pela Reag Investimentos, mesmo após ser alvo da Operação Carbono Oculto, o que levanta preocupações sobre a gestão de risco da instituição.

Documentos revelam que os ativos comprados têm características semelhantes às estruturas investigadas, como a utilização de 'fundos sobre fundos', que dificultam a identificação da origem dos recursos e beneficiários finais.

Apesar de alertas internos sobre riscos elevados e a falta de transparência nos ativos, as transações foram aprovadas e realizadas, ampliando o escrutínio sobre a governança do BRB em meio a investigações sobre fraudes financeiras.

O Banco de Brasília (BRB) realizou a compra de aproximadamente R$ 1,5 bilhão em ativos vinculados a fundos administrados pela Reag Investimentos, mesmo após a instituição ter sido alvo da Operação Carbono Oculto, conduzida pela Polícia Federal.

Documentos obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação revelam que os ativos adquiridos apresentam características semelhantes às estruturas investigadas no esquema, como a utilização de “fundos sobre fundos” — mecanismo que pode dificultar a identificação da origem dos recursos e dos beneficiários finais.

As operações ocorreram principalmente em setembro de 2025, período em que o BRB buscava substituir carteiras consideradas problemáticas, oriundas do Banco Master, por ativos que aparentavam maior solidez. No entanto, pareceres internos já indicavam riscos elevados, prazo reduzido para análise e possíveis inconsistências nos ativos ofertados.

Mesmo diante dos alertas técnicos, as transações foram aprovadas pelas instâncias decisórias do banco e executadas antes da conclusão completa das análises de risco. Parte dos ativos adquiridos envolvia fundos com baixa liquidez, estruturas complexas e dependência de empresas com pouca transparência no mercado.

Um dos casos que chamaram atenção foi a aquisição de participação em um fundo que resultou na entrada indireta do BRB como sócio do empresário Roberto Justus, sem que o próprio tivesse conhecimento prévio da operação.

Além disso, relatórios internos apontaram preocupações relacionadas à prevenção à lavagem de dinheiro, já que alguns fundos possuíam estrutura concentrada e ausência de identificação clara de seus beneficiários finais — fator considerado sensível em operações financeiras desse porte.

Outra operação envolveu a compra de ativos com valorização considerada atípica, incluindo fundos imobiliários que tiveram seus valores reajustados de forma expressiva em curto período, levantando suspeitas sobre possível superavaliação.

As aquisições ocorreram em meio ao agravamento da situação do Banco Master, que posteriormente entrou em processo de liquidação. Ainda assim, o BRB seguiu realizando negociações, inclusive após sinais de alerta emitidos por órgãos reguladores como o Banco Central do Brasil.

O caso amplia o escrutínio sobre a gestão de risco e governança das instituições envolvidas, especialmente diante do volume bilionário movimentado e das conexões com investigações em curso sobre fraudes financeiras e lavagem de dinheiro.


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