Criminoso condenado a quase 126 anos de prisão foi capturado em operação conjunta entre a Polícia Federal e autoridades bolivianas

Letícia Sales Publicado em 26/05/2026, às 13h28
Gerson Palermo, apontado como um dos chefes do Primeiro Comando da Capital, foi preso nesta terça-feira (26) na região de Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia, durante uma operação da Força Especial de Combate ao Narcotráfico boliviana em conjunto com a Polícia Federal.
Foragido há seis anos, Palermo havia deixado o presídio de segurança máxima de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul, após conseguir prisão domiciliar em abril de 2020. Poucas horas depois de ser solto, ele rompeu a tornozeleira eletrônica e desapareceu.
Segundo informações apuradas, a expectativa das autoridades brasileiras é que o criminoso seja expulso da Bolívia para retornar ao Brasil e cumprir pena.
A prisão ocorreu dias após o programa Fantástico exibir os bastidores da decisão judicial que autorizou a soltura do traficante. Na época, o habeas corpus foi concedido durante um plantão judiciário pelo então desembargador Divoncir Maran em menos de 40 minutos.
A autorização permitia que Palermo deixasse a penitenciária para cumprir prisão domiciliar. Cerca de cinco horas após deixar o presídio, ele rompeu o equipamento de monitoramento eletrônico e fugiu.
Em fevereiro deste ano, o Conselho Nacional de Justiça puniu Divoncir Maran com aposentadoria compulsória pela decisão que beneficiou o traficante.
Além de ser investigado por tráfico internacional de drogas, Gerson Palermo também ficou conhecido por participação em um dos crimes mais marcantes dos anos 2000. Em agosto daquele ano, ele integrou a quadrilha responsável pelo sequestro de um Boeing 737 da antiga Vasp.
O avião havia saído de Foz do Iguaçu com destino a Curitiba quando foi tomado pelos criminosos. A aeronave foi obrigada a pousar em Porecatu, no Paraná, onde o grupo roubou nove malotes do Banco do Brasil contendo cerca de R$ 5,5 milhões.
Pelo sequestro e roubo, Palermo foi condenado a 66 anos e nove meses de prisão.
Anos depois, ele voltou a ser alvo da Polícia Federal durante a Operação All In, deflagrada em 2017 para desmontar um esquema internacional de tráfico de drogas. Segundo as investigações, cocaína saía da Bolívia em aviões até Corumbá, no Mato Grosso do Sul, e depois era distribuída para outros estados brasileiros em caminhões.
Na ocasião, foram apreendidos 810 quilos de cocaína. Pelos crimes ligados ao tráfico e associação criminosa, Palermo recebeu mais 59 anos de condenação. Somadas, as penas chegam a quase 126 anos de prisão.
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