Deise Moura dos Anjos, foi acusada de envenenar três membros da família do marido com um bolo de frutas cristalizadas contaminado com arsênio

William Oliveira Publicado em 13/02/2025, às 12h52
Na manhã desta quinta-feira (13), Deise Moura dos Anjos, acusada de envenenar três membros da família do marido com um bolo de frutas cristalizadas contaminado com arsênio, foi encontrada sem vida na Penitenciária Estadual Feminina de Guaíba. As autoridades penitenciárias informaram que a suspeita pode ter cometido suicídio.
A prisão de Deise ocorreu no dia 5 de janeiro, após investigações apontarem que ela teria envenenado a farinha usada para o bolo consumido em Torres, no litoral norte do Rio Grande do Sul, na véspera de Natal. As investigações se ampliaram também para a morte de Paulo Luiz dos Anjos, sogro de Deise, que faleceu em setembro, após ingerir bananas e leite em pó levados à sua residência pela nora.
Segundo a Polícia Penal, durante a conferência matinal, Deise foi encontrada "sem sinais vitais". Em nota oficial, os servidores da penitenciária relataram que imediatamente prestaram socorros e acionaram o Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu), que confirmou o óbito. A causa da morte foi identificada como "asfixia mecânica autoinfligida".
A mulher estava sozinha em sua cela no momento da descoberta do corpo. As circunstâncias que cercam sua morte estão sob investigação pela Polícia Civil e pelo Instituto Geral de Perícias (IGP).
Após passar um mês no Presídio Estadual Feminino de Torres, a prisão de Deise foi prorrogada pela Justiça, levando à sua transferência para Guaíba em 6 de fevereiro por motivos relacionados à segurança.
Cronologia do caso
Em uma reunião familiar dias antes do Natal, sete pessoas foram hospitalizadas após consumirem fatias do bolo preparado por Zeli dos Anjos. Zeli também foi hospitalizada e era considerada uma das alvos do envenenamento.
Infelizmente, três mulheres faleceram em decorrência do incidente: Tatiana Denize Silva dos Anjos e Maida Berenice Flores da Silva tiveram paradas cardiorrespiratórias, enquanto Neuza Denize Silva dos Anjos morreu devido a um choque pós-intoxicação alimentar. A única sobrevivente da família que comeu o bolo foi Zeli, que teve alta em janeiro deste ano.

De acordo com o delegado Marcus Veloso, Zeli era o principal alvo das ações de Deise. O delegado detalhou que Deise esteve presente durante os eventos que culminaram nas hospitalizações e mortes familiares.
"O principal alvo dela era a Zeli. Ela estava no dia 2 de setembro, quando ela fez o café com leite em pó e tudo mais (saiba mais abaixo), junto com seu marido, e também estava no local em que Zeli fez o bolo em Arroio do Sal e ela também consumiu o bolo e também foi para o hospital", afirmou o delegado.
A polícia também reavaliou a morte do sogro de Deise. Após a revelação do caso do bolo envenenado, as investigações se concentraram em saber se houve relação entre a nora e a morte de Paulo Luiz dos Anjos. A exumação do corpo resultou na confirmação da presença de arsênio no organismo dele antes do falecimento.
Nota oficial
"A Polícia Penal informa que, durante a conferência matinal na Penitenciária Estadual Feminina de Guaíba, a presa Deise Moura dos Anjos foi encontrada sem sinais vitais.
Imediatamente, os servidores prestaram os primeiros socorros e acionaram o Serviço de Atendimento Médico de Urgência que, ao chegar no local, constatou o óbito.
Deise estava sozinha na cela. As circunstâncias serão apuradas pela Polícia Civil e pelo Instituto-Geral de Perícias".
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