Governador de São Paulo pede condenação exemplar para oficial acusado de matar a esposa em Campos do Jordão

por Marina Milani
Publicado em 03/04/2026, às 10h13
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), comentou nesta quinta-feira (2), em Campos do Jordão, a decisão da Polícia Militar do Estado de São Paulo de colocar na reserva o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, preso sob suspeita de matar a esposa.
Durante a declaração, o governador afirmou esperar uma condenação rigorosa e disse que o oficial deve “apodrecer o resto da vida na cadeia”, caso seja considerado culpado. Segundo ele, o episódio não ficará impune e exige resposta firme da Justiça.
“Nosso desejo é que ele seja condenado exemplarmente, porque o que ele cometeu foi um crime bárbaro”, afirmou.
A decisão de levar o tenente-coronel para a reserva com vencimentos integrais foi publicada no Diário Oficial e segue critérios previstos em lei. Mesmo preso preventivamente desde 18 de março, ele passa a ter direito à remuneração proporcional ao tempo de serviço.
Antes da prisão, o salário bruto do oficial girava em torno de R$ 28,9 mil. Com a aposentadoria, os cálculos indicam vencimentos próximos de R$ 21 mil mensais.
A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo informou que a medida administrativa não interfere nos processos penal e disciplinar. Caso haja condenação e perda de patente, o militar pode ser desligado da corporação, embora a interrupção definitiva de benefícios dependa de decisão judicial.
Geraldo Leite Rosa Neto é acusado de feminicídio e fraude processual pela morte da esposa, a policial militar Gisele Alves Santana, encontrada baleada no apartamento do casal, na região central da capital paulista.
Inicialmente, o oficial alegou suicídio, mas a versão foi descartada após laudos periciais e análise de provas conduzidas pela Polícia Civil do Estado de São Paulo.
Segundo as investigações, o celular da vítima foi acessado após o disparo e teve mensagens apagadas. Conversas recuperadas indicam que o casal discutia separação na véspera da morte.
Além disso, testemunhos colhidos ao longo do inquérito apontam histórico de comportamento agressivo e controlador por parte do acusado.
O caso foi encaminhado à Justiça e deve seguir como crime doloso contra a vida, com possibilidade de julgamento pelo Tribunal do Júri. O Ministério Público de São Paulo sustenta que há elementos suficientes para caracterizar feminicídio.
Paralelamente, a corporação instaurou um conselho de justificação que pode resultar na perda do posto e da patente do oficial.
A defesa nega as acusações e afirma que o tenente-coronel colaborou com as investigações, além de questionar aspectos do processo. Enquanto isso, ele permanece preso no Presídio Militar Romão Gomes, na Zona Norte da capital.
O caso segue repercutindo não apenas pela gravidade das acusações, mas também pelo debate em torno da manutenção de benefícios a agentes públicos investigados por crimes graves.
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