Governador avalia que disputa não deve ser nacionalizada e rejeita narrativa sobre coautoria de obras

por Marina Milani
Publicado em 19/04/2026, às 10h40
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), tem avaliado junto a interlocutores que a estratégia do PT, e do pré-candidato Fernando Haddad, de reivindicar coautoria em obras estaduais é um “erro estratégico” na disputa eleitoral.
Segundo aliados, Tarcísio considera que a tentativa de vincular entregas de sua gestão a recursos federais, especialmente por meio do BNDES, não deve prosperar junto ao eleitorado. O foco petista tem sido destacar que projetos como o trecho norte do Rodoanel e a Linha 17 do Metrô só teriam avançado graças a financiamentos e aportes da União.
Na avaliação do governador, no entanto, a população tende a reconhecer as obras como resultado direto da administração estadual. “Ninguém vai tirar o mérito das entregas”, teria dito a interlocutores.
Do outro lado, a pré-campanha de Haddad intensifica o discurso de protagonismo federal. Em inserções recentes, o ex-ministro afirma que “nunca um governo federal trabalhou tanto por São Paulo”, reforçando a tese de que grande parte dos investimentos estaduais dependeu de recursos da União. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também tem adotado tom semelhante em agendas no estado.
A campanha de reeleição de Tarcísio de Freitas pretende evitar que a disputa seja nacionalizada, cenário considerado mais favorável ao PT. A orientação é manter o debate centrado em temas locais e na gestão paulista, reduzindo o espaço para embates diretamente ligados ao governo federal.
Apesar de críticas à atuação de Haddad no Ministério da Fazenda, o entorno do governador avalia que explorar esse ponto não será prioridade, justamente para evitar deslocar o foco da eleição para o cenário nacional.
A coordenação do plano de governo está a cargo da secretária Natália Resende, vista como um dos principais nomes técnicos da atual gestão.
Enquanto isso, o PT já articula uma ofensiva mais ampla em São Paulo, considerado o principal colégio eleitoral do país. Além de Haddad, nomes como Marina Silva, Simone Tebet e o vice-presidente Geraldo Alckmin devem atuar diretamente na campanha.
Nos bastidores, também há mobilização jurídica para levantar temas que possam desgastar o governador. Entre eles, conexões políticas ligadas ao chamado caso do Banco Master, que deve ser explorado como linha de ataque.
A defesa de Tarcísio, por sua vez, sustenta que sua campanha em 2022 contou com centenas de doações individuais e que eventuais vínculos de doadores só vieram à tona posteriormente, sem relação com sua gestão.
Com estratégias distintas, uma focada na gestão estadual e outra com viés nacional, a disputa em São Paulo caminha para um confronto direto de narrativas entre Tarcísio de Freitas e Fernando Haddad.
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