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Tarcísio ameaça romper contrato de R$ 237 milhões do BRT do ABC após atrasos na obra

Governo de São Paulo avalia decretar caducidade da concessão da Next Mobilidade para o corredor que ligará o ABC à capital

Após mudanças no projeto original, o BRT do ABC enfrenta impasses e atrasos, prolongando uma discussão de mais de 12 anos - Imagem: Divulgação/Next Mobilidade
Após mudanças no projeto original, o BRT do ABC enfrenta impasses e atrasos, prolongando uma discussão de mais de 12 anos - Imagem: Divulgação/Next Mobilidade

Letícia Sales Publicado em 16/03/2026, às 11h04


O governador de Tarcísio de Freitas (Republicanos) reforçou a possibilidade de encerrar o contrato de R$ 237 milhões firmado com a concessionária Next Mobilidade para a construção do BRT do ABC. A declaração adiciona mais um capítulo a um projeto de mobilidade que se arrasta há mais de uma década na região metropolitana de São Paulo.

O sistema de BRT — corredor exclusivo para ônibus com veículos elétricos — foi planejado para ligar cidades do ABC paulista à capital. Inicialmente, o projeto previa a construção de uma linha de metrô, a chamada Linha 18-Bronze, promessa anunciada em 2014 e posteriormente substituída pelo modelo de ônibus de trânsito rápido.

O atraso na execução das obras, que deveriam ter sido concluídas em meados de 2023, levou a Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) a cobrar providências da concessionária. A cobrança foi formalizada em deliberação publicada no Diário Oficial em 3 de fevereiro.

Durante agenda pública na quarta-feira (11), o governador afirmou que o governo estadual avalia medidas mais duras diante do descumprimento do cronograma.

É um assunto que nos preocupa bastante, a antiga linha 18, o BRT, e a gente deve tomar medidas mais firmes. A gente deve, realmente, encaminhar para uma decretação de caducidade. A gente tem um acordo que não está sendo honrado, não está sendo honrado, não está sendo cumprido”, disse Tarcísio de Freitas.

A concessionária Next Mobilidade, responsável pela obra, afirma que o corredor deve ser entregue até outubro deste ano.

O governador, no entanto, indicou insatisfação com a nova previsão e afirmou que o compromisso firmado não está sendo cumprido.

“Foi feita uma prorrogação do contrato de concessão daquela bacia de transporte, levando-se em consideração que havia uma vantajosidade e a vantajosidade estava justamente no investimento que deveria ser feito no BRT. Esse BRT não está andando, está muito aquém do esperado. A gente está vendo aí mais uma postergação de prazo. Então, aquele compromisso que nós tínhamos para este ano, inclusive, que era para iniciar a operação, ainda que com uma transferência para a linha 2, eles não vão honrar, não vão conseguir executar. Então, não nos resta outra alternativa senão partir para uma medida mais firme com relação a esse contrato”, completou.

Como será o corredor

No projeto, o BRT terá 17,3 quilômetros de extensão, ligando o centro de São Bernardo do Campo à capital paulista. O trajeto também passará por Santo André e São Caetano do Sul, com conexão aos terminais Terminal Tamanduateí e Terminal Sacomã.

A estimativa inicial prevê que o percurso entre o Terminal São Bernardo e o Terminal Sacomã seja realizado em cerca de 40 minutos no serviço expresso. O sistema também terá opções semi-expressa e paradora, com tempos estimados de 43 e 52 minutos, respectivamente.

As estações devem ser envidraçadas e climatizadas, com acesso à internet wi-fi e painéis eletrônicos informando a previsão de chegada dos ônibus. O pagamento da tarifa será feito nas próprias estações, e os veículos terão piso nivelado com a plataforma para facilitar o embarque.

Projeto marcado por mudanças

A atual proposta de BRT surgiu após o cancelamento da Linha 18-Bronze do metrô, que havia sido planejada como uma parceria público-privada assinada em 2014, durante o governo de Geraldo Alckmin. O projeto ferroviário tinha custo estimado em cerca de R$ 4,2 bilhões.

Em 2020, o então governador João Doria anunciou a substituição da linha de metrô por um corredor de BRT, alegando dificuldades para viabilizar o empreendimento original. Dois anos depois, o contrato com a concessionária foi assinado.

Desde então, o projeto tem enfrentado atrasos e impasses entre a empresa responsável e o governo estadual, prolongando uma discussão que já dura mais de 12 anos sobre a melhor solução de transporte para a região do ABC paulista.


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