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Meio Ambiente

São Paulo enfrenta risco elevado de incêndios florestais com prolongamento da estiagem

O clima seco e a redução da umidade do ar tornam o solo mais vulnerável a incêndios

O clima seco e a redução da umidade do ar tornam o solo mais vulnerável a incêndios - Imagem: Reprodução / Paulo Pinto / Agência Brasil
O clima seco e a redução da umidade do ar tornam o solo mais vulnerável a incêndios - Imagem: Reprodução / Paulo Pinto / Agência Brasil

Gabriela Thier Publicado em 10/10/2025, às 19h13


O estado de São Paulo atravessa um período crítico em relação ao risco de incêndios na vegetação. A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB) decidiu prorrogar a suspensão das queimadas controladas até o dia 31 de outubro. De acordo com informações da Defesa Civil, no último domingo (5), várias regiões do estado apresentaram áreas amplas em nível roxo de emergência.

Tradicionalmente, o intervalo entre o final do inverno e o início da primavera, que ocorre entre agosto e setembro, é marcado por um clima mais seco em todo o Brasil. Durante este período, os índices de umidade relativa do ar tendem a ser reduzidos, tornando o solo mais vulnerável à combustão da vegetação. No entanto, especialistas têm observado que a duração da estiagem tem se estendido além do habitual nos últimos anos.

Conforme explica Lizandro Gemiacki, técnico do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), "o período seco tem se prolongado por mais dias. Temos notado que a estação chuvosa começa entre cinco a dez dias mais tarde, próximo ao final da primavera".

A identificação das causas para esse prolongamento na estiagem é complexa. Segundo Gemiacki, "não temos a capacidade de isolar a atmosfera em um laboratório para determinar causa e efeito. Acompanhamo tudo em tempo real e de forma integrada".

Adicionalmente, as mudanças climáticas têm dificultado ainda mais a análise das condições meteorológicas. Embora variações climáticas sejam normais ano a ano, tem-se percebido flutuações significativas nas temperaturas.

Mudanças Climáticas

Gemiacki aponta diversos fatores que contribuem para essa variabilidade climática acentuada, incluindo as alterações provocadas por gases de efeito estufa como CO2 e metano; fenômenos naturais de larga escala, como El Niño e La Niña; condições locais como o aquecimento do Oceano Atlântico; e oscilações atmosféricas na Antártica, Ártica e no Pacífico Decadal.

Ele ressalta que "as interações climáticas funcionam como ondas. Quando duas ondas se sobrepõem, elas podem se intensificar e gerar impactos mais significativos. No ano passado, por exemplo, houve um longo período seco na região central do Brasil, exacerbado pelo fenômeno El Niño".

Queimadas

A partir de agosto deste ano, a CETESB suspendeu todas as queimadas controladas no estado de São Paulo. Essa decisão abrange não apenas as queimadas de cana-de-açúcar, mas também aquelas destinadas à agricultura e ao controle de pragas. A medida poderá ser prorrogada caso a seca persista ou se as condições meteorológicas continuarem desfavoráveis.


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