Medida emergencial foi adotada para esvaziar estrutura danificada e permitir reparo em rede de esgoto que colapsou há mais de um mês na Zona Norte da capital

Lívia Gennari Publicado em 30/06/2025, às 11h37
A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) está despejando esgoto sem tratamento diretamente no Rio Tietê, na Zona Norte da capital paulista, como medida emergencial para permitir o reparo de uma tubulação rompida na Marginal Tietê. A estrutura danificada, conhecida como interceptor, transporta resíduos de diversos bairros da região norte da cidade até a estação de tratamento em Barueri.
O despejo acontece entre as pistas local e central da Marginal Tietê, no sentido Rodovia Castelo Branco, em frente à Avenida Engenheiro Caetano Álvares. Desde o rompimento da tubulação, ocorrido há mais de um mês, o esgoto passou a ser desviado para o Córrego Mandaqui, que deságua a poucos metros do ponto de lançamento no Rio Tietê, sem passar por qualquer tipo de tratamento.
Falha em tubulação paralisou trânsito
A crise começou no dia 10 de abril, quando uma cratera se abriu na pista central da Marginal, na altura da Ponte Atílio Fontana. A estrutura subterrânea, com mais de três metros de diâmetro, afundou por conta de uma infiltração identificada em uma caixa de acesso, estrutura que permite manutenções no sistema de esgoto. O trecho chegou a ser interditado pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) e foi liberado após cinco dias, com o reparo finalizado no dia 14 de maio.

No entanto, o mesmo buraco reabriu em 11 de maio, forçando uma nova interdição. Após inspeção, técnicos da Sabesp constataram que o problema era mais complexo do que o inicialmente identificado exigindo a reconstrução completa da caixa de acesso e a implementação de medidas para estabilizar o solo.
Para evitar novos afundamentos, a companhia lançou, aproximadamente, 20 caminhões de concreto na região para reforçar o solo. Mesmo assim, ainda não há previsão para a conclusão dos reparos e a liberação completa da via.
A Sabesp confirmou o despejo de esgoto no Rio Tietê, justificando que a medida faz parte de uma estratégia para garantir a segurança dos profissionais que trabalham na área afetada.
“Para realizar o diagnóstico e reparo da rede subterrânea na Marginal Tietê, profissionais precisarão entrar na tubulação. Para que isso seja feito com total segurança, foi preciso direcionar o fluxo de esgoto para outras estruturas, a fim de esvaziar a tubulação naquele trecho. Essa é a única alternativa técnica viável para a execução das obras no local”, afirmou a empresa em nota.
O incidente afeta diretamente bairros populosos como Vila Maria, Santana, Mandaqui, Tremembé, Freguesia do Ó e Brasilândia, cuja coleta de esgoto depende do interceptor danificado. A falta de tratamento dos resíduos lançados no rio reacende o alerta sobre a vulnerabilidade da infraestrutura de saneamento e o impacto ambiental nos cursos d’água da capital.
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