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PCC

Postos de combustíveis do Corinthians relacionados a operação contra o PCC

Clube nega gestão e promete ações legais para proteger sua imagem

Clube nega gestão e promete ações legais para proteger sua imagem - Imagem: Reprodução / Google Street View / G1
Clube nega gestão e promete ações legais para proteger sua imagem - Imagem: Reprodução / Google Street View / G1

Redação Publicado em 06/10/2025, às 18h37


Recentemente, três postos oficiais associados ao Corinthians, divulgados pelo clube em seu portal, foram identificados na Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) como pertencentes a indivíduos alvo da Operação Carbono Oculto. Esta operação, que teve início em agosto, é considerada a mais significativa ação contra o Primeiro Comando da Capital (PCC) até o momento.

Em resposta às alegações, o Corinthians esclareceu que não possui a gestão direta desses postos. Em vez disso, eles são operados por uma empresa licenciada, responsável por intermediar o contrato com os proprietários dos estabelecimentos que utilizam a marca do clube. O Corinthians também afirmou estar atento às investigações e não hesitará em tomar medidas jurídicas quanto aos contratos se isso se mostrar necessário.

Embora o clube não figure diretamente nas investigações da Operação Carbono Oculto, ele sublicenciou as unidades até novembro de 2025.

Uma análise realizada pelo G1 revelou informações sobre as empresas registradas em nome dos alvos da operação, cruzando esses dados com os registros da ANP sobre postos de combustíveis autorizados a operar no Brasil. Os resultados indicaram que ao menos 251 postos estão vinculados a 16 indivíduos investigados em quatro estados diferentes.

Dentre os três postos sob a marca "Posto Corinthians", localizados na Zona Leste de São Paulo, todos são classificados como bandeira branca, ou seja, não estão atrelados a distribuidoras específicas. Na base da ANP, esses postos aparecem com diferentes razões sociais:

  • Auto Posto Mega Líder Ltda - Avenida Líder, 2000 (Cidade Líder);
  • Auto Posto Mega Líder 2 Sociedade Unipessoal Ltda - Avenida São Miguel, 6337 (Vila Norma);
  • Auto Posto Rivelino Ltda - Avenida Padre Estanislau de Campos, 151 (Conjunto Habitacional Padre Manoel da Nóbrega).

A inauguração das unidades do "posto Corinthians" foi anunciada oficialmente pelo clube em seu site durante os anos de 2021, 2022 e 2023. Estes representam os únicos postos oficiais vinculados ao time.

A informação sobre a propriedade dos postos por Luiz Ernesto Monegatto e Pedro Furtado Gouveia Neto foi inicialmente divulgada pelo portal O Bastidor em maio de 2025, antes do início da Operação Carbono Oculto.

No levantamento realizado pela reportagem, foi identificado que o posto Rivelino está associado na Receita Federal a Pedro Furtado Gouveia Neto. No entanto, na autorização de funcionamento emitida pela ANP, Himad Abdallah Mourad é mencionado como sócio. Ambos são considerados parte de uma rede investigada pelo PCC e ligada a Mohamad Hussein Mourad.

Mohamad é descrito pela Justiça de São Paulo como um dos principais líderes do esquema relacionado ao PCC, que supostamente possui conexões em vários estados e está envolvido em atividades criminosas como organização criminosa e lavagem de dinheiro, com um volume estimado de operações superior a R$8,4 bilhões.

Na documentação judicial que embasou a operação, Pedro Furtado Gouveia Neto é apontado como representante da GGX Global, uma empresa associada à administração dos negócios sob controle de Mohamad. Ele também foi alvo de mandados de busca e apreensão durante as investigações.

Himad Abdallah Mourad, primo de Mohamad, é caracterizado pelos investigadores como um dos principais membros do grupo criminoso e responsável por estruturas empresariais utilizadas para proteção patrimonial e lavagem de dinheiro. Ele figura no quadro societário de 103 postos relacionados ao núcleo familiar e empresarial de Mohamad e também sofreu mandados de busca e apreensão.

Os outros dois postos associados ao nome do clube -- Mega Líder e Mega Líder 2 -- têm vínculos com Luiz Ernesto Franco Monegatto, um dos alvos da operação. A Justiça menciona Monegatto como sócio em negócios ligados à lavagem de capitais promovidas pelo grupo liderado por Mohamad Hussein Mourad.

A irregularidade nos registros dos postos foi destacada pela ANP. A agência informou que notificará as empresas para corrigir suas informações cadastrais e poderá abrir um processo administrativo que pode levar à revogação das autorizações caso haja descumprimento.

O contrato que deu origem ao Auto Posto Timão foi firmado em 30 de abril de 2021 sob a presidência de Duilio Monteiro Alves. Em declarações recentes à imprensa, ele ressaltou que os contratos foram formalizados antes da sua gestão e passaram pela aprovação dos órgãos competentes do clube.

Duilio afirmou ainda que os contratos incluem cláusulas que asseguram ao clube compensações por eventuais danos à sua imagem decorrentes das operações dos postos licenciados.

O Sport Club Corinthians Paulista reafirma sua posição sobre não ser responsável pela administração dos postos mencionados na reportagem, esclarecendo que se trata apenas de um contrato de licenciamento. O clube está atento às investigações para tomar as medidas legais necessárias em relação aos contratos relacionados aos estabelecimentos citados.


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