Família ainda luta por justiça após episódio violento que chocou a Grande São Paulo

por Marina Milani
Publicado em 10/01/2025, às 20h42
Onze dos 12 policiais militares afastados após agredirem uma idosa de 63 anos e aplicarem um golpe de mata-leão em seu filho, em Barueri, na Grande São Paulo, voltaram ao serviço ativo. A informação foi confirmada pela Secretaria de Segurança Pública (vr), que declarou que apenas um dos agentes permanece afastado, à disposição da Corregedoria da Polícia Militar.
A SSP afirmou que "a Polícia Militar não compactua com desvios de conduta e pune exemplarmente aqueles que infringem a lei e desobedecem aos protocolos da corporação." No entanto, a decisão de reintegrar os PMs às atividades operacionais gerou revolta na comunidade local e reacendeu debates sobre a impunidade em casos de violência policial.
Em 5 de dezembro de 2024, Matheus Higino Lima Silva, de 18 anos, e seu pai, Juarez Higino Lima Junior, de 39, estavam próximos à garagem de casa quando foram abordados por policiais devido à documentação irregular de uma motocicleta. Segundo testemunhas, o desentendimento escalou quando pai e filho resistiram à apreensão do veículo e correram para dentro da residência.
Imagens gravadas por testemunhas mostram policiais invadindo a casa sem mandado e agredindo brutalmente a família. Juarez foi imobilizado com um golpe de mata-leão, proibido pela PM desde 2020. Sua mãe, Lenilda Messias Santos Lima, de 63 anos, foi empurrada, chutada e puxada pela gola do casaco, ficando com o rosto ensanguentado.
“Foi uma cena de terror. Eles entraram com armas apontadas, luzes de laser na nossa cara, e começaram a bater sem motivo. Minha mãe chorava pedindo para parar, mas só aumentaram a violência,” relatou Juarez à época.
O caso foi registrado como desacato, resistência, lesão corporal e abuso de autoridade. Apesar das agressões, a versão oficial da PM justificou a entrada na casa sem autorização com base em "estado flagrancial" e alegações de desacato.
A decisão de reintegrar os policiais levanta questões sobre a eficácia das punições aplicadas. Para especialistas, a medida enfraquece a confiança da população na instituição e reforça uma cultura de impunidade.
Lenilda, ainda traumatizada, desabafou: "Minha família foi atacada dentro do nosso lar, onde deveríamos nos sentir seguros. Eles destruíram nossa paz e agora estão de volta às ruas como se nada tivesse acontecido."
A Corregedoria da PM e o Ministério Público continuam investigando o caso. Organizações de direitos humanos e lideranças comunitárias pressionam por maior transparência no processo e por uma revisão do retorno dos policiais ao trabalho.
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