Empresário é preso após investigação revelar uso de empresas de fachada para produzir e vender álcool irregular na zona sul da capital

Erika Osti Publicado em 19/03/2026, às 17h11
A Polícia Civil de São Paulo apreendeu 27 mil litros de etanol e prendeu um empresário de 51 anos durante uma operação realizada na quarta-feira (18) que desmantelou um esquema milionário de falsificação de álcool doméstico na zona sul da capital. A investigação aponta que o grupo produzia álcool em gel e álcool 70% sem autorização da Anvisa, utilizando três empresas de fachada para fabricar e distribuir os produtos de forma clandestina. O material era vendido com rótulos falsificados, em nome de uma empresa regular do setor com sede em Piracicaba, no interior paulista.
A ação foi realizada por agentes da 6ª Central Especializada de Repressão a Crimes e Ocorrências Diversas, que cumpriram quatro mandados de busca e apreensão. Em um dos endereços, na Cidade Dutra, os policiais localizaram a estrutura usada na produção irregular e efetuaram a prisão em flagrante de um homem que estava no local.
Durante as diligências, os agentes descobriram um tanque subterrâneo com 27 mil litros de etanol armazenados de forma precária e sem autorização. Segundo a polícia, o combustível era utilizado na mistura para fabricação do álcool líquido, com variações de concentração abaixo do padrão exigido.
As investigações indicam que o esquema operava há cerca de dez anos. Além do empresário preso, o filho dele e uma mulher apontada como sócia de uma das empresas são investigados por participação nas atividades ilegais.
A polícia também apura a possível ligação das empresas com a venda irregular de metanol, substância tóxica que pode ter sido usada na produção de bebidas alcoólicas comercializadas em adegas da região.
Nos locais vistoriados, foram apreendidos seis celulares, um pen-drive e diversos materiais utilizados na falsificação, como embalagens, tampas, rótulos e fitas adesivas. Em outro ponto alvo da operação, uma mulher foi detida com uma arma de fogo e moedas estrangeiras sem comprovação de origem. Ela foi levada à delegacia, prestou depoimento e acabou liberada após pagamento de fiança.
De acordo com o delegado responsável pelo caso, Lawrence Luiz Ribeiro, a análise dos documentos apreendidos deve dimensionar o volume financeiro movimentado pelo grupo. A suspeita é de que o esquema tenha gerado lucros milionários ao longo dos anos.
O caso foi registrado como falsificação de produtos medicinais e segue sob investigação. A polícia também apura possíveis crimes ambientais, contra a ordem econômica e relacionados ao sistema de combustíveis.
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