Thiago Rocha de Paula, ex suplente de vereador da Câmara Municipal de Santo André, foi preso durante a Operação Contaminatio, que investiga lavagem de dinheiro e tentativa de influência política em prefeituras paulistas.

Ana Beatriz Publicado em 28/04/2026, às 12h47
A Polícia Civil de São Paulo lançou a Operação Contaminatio para desmantelar um esquema de lavagem de dinheiro e influência política, resultando na prisão de quatro pessoas e no bloqueio de R$ 513,6 milhões em bens.
As investigações revelaram que o grupo utilizava uma fintech para ocultar recursos ilícitos e financiar candidaturas políticas, além de tentar inserir membros em cargos estratégicos nas prefeituras.
A operação continua em andamento, com a análise de documentos e dispositivos eletrônicos, e novas fases são esperadas para expandir as investigações e identificar ramificações em outras cidades.
A Polícia Civil de São Paulo deflagrou nesta segunda-feira 27 a Operação Contaminatio, coordenada pela Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes de Mogi das Cruzes, com foco no desmantelamento de um esquema de lavagem de dinheiro e influência política em administrações municipais. A ação resultou na prisão de quatro pessoas e no bloqueio judicial de R$ 513,6 milhões em bens e contas bancárias.
Entre os detidos estão Joel Ferreira de Souza e Thiago Rocha de Paula, que chegou a ocupar por cerca de 20 dias o cargo de suplente na Câmara Municipal de Santo André em 2022. Outros dois presos não tiveram os nomes divulgados pelas autoridades até o momento.
Segundo as investigações, o grupo utilizava uma fintech como estrutura para movimentação e ocultação de recursos ilícitos. A apuração aponta que o esquema não se limitava à lavagem de dinheiro, mas também tinha como objetivo a criação de um núcleo de influência política e financeira dentro de prefeituras do estado de São Paulo.
De acordo com a Polícia Civil, a atuação acontecia em duas frentes principais. A primeira envolvia o financiamento de candidaturas políticas com recursos provenientes de organização criminosa. A segunda consistia na tentativa de inserção de integrantes do grupo em cargos comissionados estratégicos, com o intuito de influenciar decisões administrativas, especialmente na área de tributos municipais.
Além das prisões, a operação também teve como alvo Pedro Seno, que exercia a função de diretor de inovação da Fundação do ABC. Ele foi alvo de mandado de busca e apreensão, e materiais foram recolhidos para análise. Até o momento, não há confirmação de prisão relacionada a ele.
A investigação segue em andamento e a Polícia Civil analisa documentos, dispositivos eletrônicos e movimentações financeiras para mapear a extensão do esquema e identificar possíveis ramificações em outras cidades. A expectativa é que novas fases da operação sejam deflagradas, ampliando o alcance das apurações.
Autoridades destacam que o caso evidencia uma tentativa estruturada de infiltração em órgãos públicos, com uso de tecnologia financeira para dar aparência de legalidade às operações. O volume de recursos bloqueados indica a dimensão do esquema e reforça a suspeita de atuação organizada e contínua.
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