PMs seguem sendo investigados após falhas e fuga durante o atentado que matou empresário Vinícius Gritzbach

por Marina Milani
Publicado em 13/11/2024, às 09h34
O policial militar Samuel da Luz, responsável pela escolta do empresário e delator do PCC Vinícius Gritzbach, contou em detalhes à polícia como reagiu ao atentado que matou o empresário no Aeroporto Internacional de São Paulo, na última sexta-feira (8). Em seu depoimento à Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Samuel relatou que fugiu por cerca de 50 metros após ouvir os disparos, buscando abrigo em um barranco próximo à cena do crime.
Conforme o relato do PM, ele estava à frente de Gritzbach no momento em que dois homens encapuzados saíram de um carro e abriram fogo contra o empresário, que morreu ainda na área de desembarque do aeroporto. Samuel afirma que, ao perceber o ataque, correu para o lado oposto, subindo uma rampa e se refugiando dentro do terminal. “No deslocamento de fuga, dirigi-me até um barranco próximo e depois entrei pelo piso superior do terminal”, explicou o policial.
Proteção sob suspeita
A atuação dos policiais que faziam a escolta do delator levanta suspeitas e está sendo investigada pela Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP), que determinou o afastamento dos agentes. Antes do ataque, a equipe de segurança já enfrentava problemas: o carro da filha de Vinícius havia quebrado, o que obrigou um dos policiais a ficar para trás, enquanto Samuel e outro segurança acompanhavam o empresário.
Testemunhas e gravações de segurança mostram que a ação dos atiradores foi rápida e precisa, deixando claro que Gritzbach era o alvo principal. O empresário, que ajudava em investigações contra o PCC e estava envolvido em um acordo de delação, foi atingido por pelo menos 29 tiros. Um motorista de aplicativo também morreu ao ser atingido por uma bala perdida.
Silêncio sobre o transporte de joias
O policial ainda afirmou que desconhecia o valor do pacote que Vinícius carregava em uma mala: joias avaliadas em cerca de R$ 1 milhão. Durante a viagem de Vinícius a São Miguel dos Milagres, no Alagoas, Samuel teria presenciado a entrega do item, mas disse que não questionou o conteúdo do pacote.
O advogado de Gritzbach, Ivelton Salotto, afirmou que o empresário havia solicitado proteção ao Ministério Público de São Paulo (MPSP) após sofrer ameaças e tentativas de atentado anteriores. O pedido, no entanto, foi recusado. Desde que foi solto no ano passado para responder a acusações de duplo homicídio em liberdade, Gritzbach era considerado um alvo de risco.
Investigação
Os PMs responsáveis pela segurança de Gritzbach estão sendo investigados para esclarecer o que ocorreu durante o atentado. Enquanto isso, câmeras de segurança revelam que os atiradores vestiam coletes à prova de balas e estavam armados com fuzis, fugindo em um carro preto que foi encontrado pela polícia pouco depois, parcialmente queimado.
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