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Crime Organizado

PCC, máfia chinesa e milicianos dominam bastidores da 25 de Março

No momento, a Rua 25 de Março, em São Paulo, é investigada por vínculos com organizações criminosas e pirataria, segundo o governo dos EUA

Rua 25 de Março - Imagem: Reprodução / Agência Brasil / Paulo Pinto
Rua 25 de Março - Imagem: Reprodução / Agência Brasil / Paulo Pinto

William Oliveira Publicado em 19/07/2025, às 09h55


A Rua 25 de Março, um dos maiores centros comerciais de São Paulo, está no foco de uma investigação conduzida pelo governo dos Estados Unidos, que identifica na região problemas que vão além da pirataria. Relatórios recentes apontam a área como um reduto de organizações criminosas, incluindo a máfia chinesa, o Primeiro Comando da Capital (PCC) e milícias formadas por policiais.

O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) classificou a Rua 25 de Março como um dos maiores mercados globais de produtos falsificados. O relatório foi divulgado após o anúncio de tarifas de até 50% sobre produtos brasileiros, numa tentativa de combater práticas comerciais consideradas desleais pelos EUA.

Sete locais do comércio paulista foram destacados como pontos críticos: Shopping 25 de Março, Galeria Pagé, Santa Ifigênia, Shopping Tupan, Shopping Korai, Feira da Madrugada e Nova Feira da Madrugada. Essas áreas são conhecidas pela venda de produtos piratas e falsificados.

Além da comercialização ilegal, esses pontos concentram atividades criminosas variadas, como lavagem de dinheiro, contrabando e extorsão. A movimentação financeira expressiva atraiu organizações que, segundo investigações, teriam envolvimento até em homicídios.

Entre os grupos mais atuantes está a máfia chinesa, que opera desde lojas-fachada até extorsão de comerciantes locais. A Polícia Federal identificou o uso de estabelecimentos para lavagem de dinheiro proveniente de fraudes virtuais. O esquema envolvia “laranjas” que abriam contas bancárias para receber valores de golpes online, que depois eram convertidos em recursos para compra de armamentos.

Entre 2014 e 2017, pelo menos três homicídios foram ligados à recusa de pagamento das taxas cobradas pela máfia. A prisão recente de Lin Xianbin, membro procurado da organização, reforça a continuidade das ações policiais.

Além disso, o Ministério Público denunciou uma milícia formada por policiais militares e civis que cobrava propinas na Feira da Madrugada. Desde 2023, essa milícia ameaçava comerciantes para exigir pagamentos, controlando valores em cadernetas e medindo fisicamente os espaços utilizados pelos lojistas.

Investigações também apontam conexões com o PCC, que usaria as lojas para facilitar o tráfico internacional de drogas. Doleiros atuam como intermediários entre comerciantes brasileiros e traficantes europeus, possibilitando a lavagem do dinheiro ilícito.

Em resposta às acusações, a Univinco, associação que representa os lojistas da Rua 25 de Março, defendeu a legalidade das operações e ressaltou a importância econômica da região. Em protesto contra as alegações feitas pelo ex-presidente Donald Trump, comerciantes organizaram uma manifestação que culminou em passeata pelas ruas do centro comercial.


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