Crescimento no uso do transporte público também é refletido no Metrô, que, em 15 de novembro, atingiu o pico de 3,2 milhões de usuários diários

William Oliveira Publicado em 21/11/2024, às 10h13
Em um marco significativo para o transporte público paulistano, o mês de outubro registrou o maior fluxo de passageiros nos ônibus da capital desde janeiro de 2020. Dados fornecidos pela SPTrans indicam que foram realizadas 194,9 milhões de viagens, mesmo com uma redução considerável na frota contratada pela prefeitura, que conta com cerca de 800 veículos a menos em comparação ao período anterior à pandemia.
O crescimento no uso do transporte público também é refletido no Metrô, que, em 15 de novembro, atingiu o pico de 3,2 milhões de usuários diários, um recorde desde o início da crise sanitária em março de 2020.
No comparativo anual, o volume de passageiros transportados por ônibus em outubro cresceu 8,8% em relação ao mesmo mês do ano passado, quando foram contabilizadas 179 milhões de viagens. No entanto, esse número ainda está aquém dos 239 milhões registrados em outubro de 2019.
Enquanto há um aumento no número de usuários do sistema nos últimos anos, a frota municipal encolheu. Em janeiro de 2020, estavam disponíveis 14.053 ônibus, número que caiu para 13.272 em outubro deste ano — uma diminuição de 5,6%, equivalente a 781 ônibus a menos. A prefeitura destinou R$ 5,3 bilhões ao subsídio do transporte público no ano passado e projeta um aumento desse valor para 2024.
A população que utiliza os ônibus diariamente tem sentido os efeitos da superlotação e expressado descontentamento com as condições enfrentadas. Luciana de Oliveira, moradora da zona sul, relatou situações em que passageiros precisam desembarcar em subidas íngremes devido ao excesso de peso nos veículos.
De acordo com a administração municipal, a atual frota representa 94% da quantidade existente antes da pandemia, enquanto a demanda por transporte se encontra em cerca de 80% dos níveis pré-Covid-19. Contudo, muitos usuários questionam essas cifras diante das dificuldades diárias enfrentadas.
No Terminal João Dias e no Terminal Grajaú, filas extensas são comuns mesmo fora dos horários de pico. Maria Luiza Silva, uma jovem aprendiz residente no Grajaú e trabalhadora em Santo Amaro, descreve sua jornada diária como extenuante, levando até três horas para percorrer o trajeto entre casa e trabalho.
A situação crítica nos terminais reflete a realidade mais dura nas ruas dos bairros periféricos da zona sul paulistana, onde trabalhadores enfrentam longas esperas e disputas para embarcar em ônibus lotados.
Em resposta às críticas, a Prefeitura de São Paulo destacou a implementação de 54 km de faixas exclusivas desde 2021 e afirma monitorar constantemente o fluxo de passageiros para adequar a oferta de transporte. O Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbano (SPUrbanuss) ressalta que as operadoras devem cumprir as diretrizes estabelecidas pela administração municipal quanto à operação da frota.
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