Emanuelly, 4 anos, foi encontrada morta e enterrada sob concreto na casa onde morava com o pai e a madrasta, em Guarulhos

William Oliveira Publicado em 29/11/2025, às 07h58 - Atualizado às 08h46
A trágica morte da pequena Emanuelly, de apenas 4 anos, ganhou contornos ainda mais sombrios após o depoimento do pai, Lucas Silva Souza, de 29 anos. Durante declaração prestada à Polícia Civil, ele acusou a companheira, Manoela Cristina César, de 34 anos — madrasta da vítima — de assassinar a criança após ela ter urinado na cama.
No depoimento prestado no 4º Distrito Policial de Guarulhos, Lucas afirmou que o episódio desencadeou uma série de agressões que culminaram na morte da filha, seguida do esquartejamento e posterior ocultação do corpo com concreto. O cadáver foi enterrado em uma cova rasa no próprio quintal da residência onde o casal morava.
"Ela [Manoela] confessou que brigou com a menina [Emanuelly] porque ela fez xixi na cama", declarou o metalúrgico.
Segundo o pai, ao retornar do trabalho no dia 15 de setembro, encontrou a filha “gelada” no sofá. Nesse momento, Manoela teria relatado a discussão motivada pelo xixi na cama e informado que a criança havia “desfalecido” após a briga.
Lucas ainda relatou que o plano para o esquartejamento foi decidido no dia seguinte à morte, em comum acordo com Manoela, com o objetivo de evitar a prisão. Ele afirmou ter presenciado o momento em que a companheira realizava os cortes no corpo da menina.
Após o crime, as partes do corpo foram enterradas em um buraco na varanda interna da casa e cobertas com concreto. Ao ser conduzido ao local pela polícia, Lucas quebrou o piso até que um forte odor e fios de cabelo expostos confirmassem a presença dos restos mortais. O momento foi registrado em vídeo pelos investigadores responsáveis. Assista:
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Em depoimento, Manoela apresentou uma versão distinta. Ela afirmou que Emanuelly ainda apresentava sinais de vida quando Lucas chegou, e relatou que a ideia de se desfazer do corpo teria partido dele. Admitiu participação na ocultação, mas negou ter realizado o esquartejamento, além de se recusar a responder se havia agredido a criança antes da morte.
"Não vou falar porque a gente já vai pegar cadeia mesmo", limitou-se a declarar.
Ambos se encontram em prisão preventiva por tempo indeterminado, conforme decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), divulgada na sexta-feira (28).
O caso veio à tona após Gabriella Cardoso Lourenço da Silva, mãe de Emanuelly, recorrer ao Conselho Tutelar para denunciar agressões anteriores cometidas por Lucas contra os filhos. O órgão identificou contradições nas versões apresentadas pelo casal sobre o paradeiro da menina, o que levou Lucas a admitir a morte da filha e revelar o local onde havia sido enterrada.
A Polícia Civil confirmou que o pai possui registros de ocorrências por maus-tratos contra outro filho e agressões físicas contra Gabriella. O caso foi classificado como homicídio qualificado e ocultação de cadáver. Para os investigadores, há indícios suficientes da participação tanto do pai quanto da madrasta no crime. A prisão preventiva foi solicitada pelo 4º DP de Guarulhos devido à brutalidade dos fatos e às tentativas de obstrução das investigações, sendo posteriormente acatada pela Justiça.
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