Datena será penalizado após agredir Pablo Marçal durante debate na TV Cultura

por Marina Milani
Publicado em 16/09/2024, às 08h21
A corrida eleitoral para a Prefeitura de São Paulo atingiu um novo nível na madrugada desta segunda-feira (16), durante o debate transmitido pela TV Cultura. José Luiz Datena (PSDB) protagonizou um episódio de violência ao agredir Pablo Marçal (PRTB) com uma cadeira após uma troca de farpas que rapidamente saiu do controle. O candidato agredido foi levado ao Hospital Sírio Libanês, onde permanece em observação.
De acordo com um vídeo publicado nas redes sociais de Marçal, ele sofreu uma fratura na costela e não tem previsão de alta. Sua equipe confirmou que todos os compromissos de campanha para esta segunda-feira foram cancelados. “Esperamos que as medidas judiciais cabíveis sejam tomadas”, declarou sua assessoria, que já registrou um boletim de ocorrência contra Datena no 78º Distrito Policial.
O estopim da confusão foi uma pergunta de Marçal, que questionou quando Datena desistiria da candidatura, acusando-o de ser um "arregão". A troca de ofensas esquentou quando Marçal relembrou um episódio anterior, alegando que Datena tentou agredi-lo em outro debate. Datena, visivelmente irritado, rebateu as acusações, chamando Marçal de "bandidinho" e justificando que a denúncia de assédio que enfrentou já havia sido arquivada por falta de provas.
No entanto, foi no momento da réplica que os ânimos realmente explodiram. Marçal, sem hesitar, continuou atacando verbalmente o adversário. Datena, incapaz de conter sua raiva, pegou uma cadeira e desferiu o golpe em Marçal, que foi imediatamente atendido pela equipe médica presente no estúdio.
Após o incidente, Datena admitiu que perdeu o controle. “Infelizmente, eu perdi a cabeça. A lembrança da morte da minha sogra, logo após uma denúncia injusta, me fez agir de maneira impensada. Não deveria ter feito isso, mas foi uma reação humana que eu não consegui conter”, desabafou o apresentador ao deixar o estúdio.
O clima de tensão na campanha eleitoral de São Paulo já vinha se desenhando nas últimas semanas, com diversos candidatos protagonizando momentos de emoção e choro em público. Agora, a agressão física registrada ao vivo coloca mais lenha na fogueira, e levanta questões sobre a segurança nos próximos debates.
Enquanto a equipe de Marçal exige a presença de seguranças nos estúdios, outros candidatos criticam o episódio e pedem um ambiente mais respeitoso e democrático nas discussões.
O que dizem os outros candidatos?
Guilherme Boulos (PSOL) foi um dos primeiros a se pronunciar. Em suas redes sociais, ele classificou o episódio como "lamentável" e disse que os candidatos devem "dar exemplo de respeito e diálogo para a população". Boulos ainda ressaltou que a violência não tem espaço na política e que o debate deveria ser um lugar para a apresentação de propostas e discussões produtivas, não para brigas.
Ricardo Nunes (MDB), atual prefeito e candidato à reeleição, também se manifestou de forma crítica. Ele declarou que o momento requer equilíbrio emocional, especialmente por parte de figuras públicas que estão sob os holofotes. Nunes chamou o ocorrido de "um triste espetáculo" e defendeu que o respeito mútuo deve ser a base de qualquer debate.
Tabata Amaral (PSB) reforçou a necessidade de se discutir a campanha com seriedade. Para ela, o incidente é um reflexo de uma política que tem apostado no confronto pessoal ao invés de priorizar os problemas reais da cidade. "São Paulo merece mais do que isso", escreveu a candidata em uma nota oficial.
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