Investigação do Ministério Público avança sobre rede de lavagem de dinheiro no setor de combustíveis e mercado financeiro; caso é considerado o maior já realizado contra a facção.

Ana Beatriz Publicado em 05/04/2026, às 10h24
O Ministério Público de São Paulo prevê concluir em até 90 dias as investigações da Operação Carbono Oculto, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital no setor de combustíveis, com potencial de denunciar entre 30 a 40 pessoas.
O esquema, que movimentou mais de R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024 por meio de 1.200 postos de combustíveis, recolheu apenas R$ 90 milhões em impostos, indicando fraude fiscal e lavagem de capitais em grande escala.
A operação, que já atingiu cerca de 350 alvos e envolve também possíveis agentes públicos, está interligada a outras investigações, como a Operação Tank, e pode revelar a profundidade da infiltração do crime organizado na economia brasileira.
O Ministério Público de São Paulo trabalha com a previsão de concluir, em até 90 dias, as investigações da Operação Carbono Oculto, que apura um esquema bilionário de lavagem de dinheiro atribuído ao Primeiro Comando da Capital no setor de combustíveis e no mercado financeiro da Faria Lima, em São Paulo.
A apuração ocorre no âmbito de um Procedimento Investigatório Criminal (PIC), instaurado em 2024, e deve resultar na denúncia de ao menos 30 a 40 pessoas. O caso segue sob sigilo e ainda enfrenta pendências técnicas, especialmente relacionadas a perícias financeiras e análise de dados, sendo classificado como de alta complexidade pelas autoridades.
Deflagrada em agosto do ano passado, a operação atingiu cerca de 350 alvos, entre pessoas físicas e jurídicas, e é considerada a maior ofensiva já realizada no país contra estruturas financeiras do crime organizado.
Segundo as investigações, o esquema operava por meio de uma rede de aproximadamente 1.200 postos de combustíveis, que movimentaram mais de R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024. Apesar do volume expressivo, o grupo teria recolhido apenas R$ 90 milhões em impostos, o equivalente a cerca de 0,17% do total — indício de fraude fiscal e lavagem de capitais em larga escala.
Para ocultar a origem ilícita dos recursos, o grupo teria utilizado cerca de 40 fundos de investimento, com patrimônio estimado em R$ 30 bilhões. Esses fundos seriam operados por agentes do mercado financeiro com atuação na região da Faria Lima, principal centro financeiro do país, o que amplia o alcance e a sofisticação do esquema.
Entre os principais alvos estão os empresários Mohamad Hussein Mourad, conhecido como “Primo”, e Roberto Augusto Leme da Silva, o “Beto Louco”. Ambos são considerados foragidos e, segundo apuração divulgada anteriormente, negociam acordos de colaboração com o MPSP.
A investigação também não se limita ao setor privado. De acordo com declarações do procurador-geral de Justiça à época da operação, há indícios que alcançam agentes públicos e, eventualmente, políticos, o que pode ampliar o impacto institucional do caso nos próximos desdobramentos.
A Carbono Oculto se conecta a outras frentes investigativas no setor de combustíveis, especialmente à chamada Operação Tank, que também apura irregularidades e possíveis vínculos com organizações criminosas. Parte do caso chegou a ser remetida à Justiça Estadual do Paraná, movimento que pode impactar a atuação de órgãos como o Ministério Público Federal e a Polícia Federal.
O avanço das investigações deve definir não apenas a responsabilização dos envolvidos, mas também expor a dimensão da infiltração do crime organizado em setores estratégicos da economia brasileira.
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