Fenômeno tem 80% de chance de se desenvolver entre junho e agosto e pode intensificar secas, enchentes e ondas de calor em diversas regiões do planeta

Redação Publicado em 02/06/2026, às 14h02 - Atualizado às 14h12
A Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência das Nações Unidas especializada em clima e tempo, alertou nesta terça-feira (2), para a alta probabilidade de formação de um novo episódio de El Niño nos próximos meses. Segundo a entidade, os indicadores atuais apontam 80% de chance de desenvolvimento do fenômeno entre junho e agosto, com possibilidade de atingir intensidade moderada a forte.
Embora ainda não seja possível determinar com precisão sua força máxima, a maior parte dos modelos climáticos analisados pela organização indica que o evento deverá superar níveis fracos. Diante desse cenário, a OMM recomenda que governos e autoridades reforcem medidas de monitoramento e prevenção para minimizar impactos sobre populações e setores econômicos.
A diretora-geral da entidade, Celeste Saulo, destacou que o planeta precisa estar preparado para os efeitos associados ao fenômeno. Segundo ela, o aquecimento das águas do Oceano Pacífico pode agravar períodos de estiagem, provocar chuvas mais intensas e aumentar a ocorrência de ondas de calor tanto em áreas continentais quanto nos oceanos.
A OMM ressalta que não existem evidências científicas de que as mudanças climáticas estejam aumentando a frequência ou a intensidade dos episódios de El Niño. No entanto, a agência avalia que o aquecimento global pode potencializar seus impactos. Com oceanos e atmosfera mais quentes, há maior disponibilidade de energia e umidade, favorecendo a ocorrência de eventos extremos, como tempestades severas, enchentes e ondas de calor prolongadas.
O que é
O El Niño é um fenômeno climático natural caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais da região equatorial do Pacífico. Ele integra o ciclo conhecido como ENSO (Oscilação Sul-El Niño), que alterna entre as fases El Niño, La Niña e neutralidade climática.
Normalmente, ocorre em intervalos de dois a sete anos e seus efeitos podem durar quase um ano, influenciando o clima em diferentes partes do mundo.
Efeitos no Brasil
Na última semana, o governo federal ianunciou a criação de um gabinete de crise que reunirá órgãos públicos e instituições de pesquisa para acompanhar a evolução do fenômeno e coordenar ações de resposta.
Historicamente, os efeitos do El Niño variam conforme a região do país. A tendência é de redução das chuvas no Norte e aumento dos volumes no Sul. Além disso, especialistas alertam para a possibilidade de intensificação de eventos extremos em praticamente todas as regiões brasileiras.
Durante o último episódio significativo do fenômeno, registrado em 2024, o país enfrentou uma série de impactos severos. Entre eles estiveram a seca histórica na Amazônia, que levou rios a níveis críticos, as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul, o aumento das temperaturas associado ao avanço dos incêndios florestais e alterações no regime de chuvas que afetaram reservatórios e o abastecimento hídrico em diferentes estados.
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