Corpo de Betto foi encontrado amarrado e com sinais de agressão, levantando suspeitas sobre a dinâmica do crime

por Marina Milani
Publicado em 25/11/2025, às 17h21
O cabeleireiro José Roberto Silveira, de 59 anos, conhecido como Betto Silveira, pode ter sido estrangulado e asfixiado, segundo aponta um laudo preliminar da Polícia Técnico-Científica. Ele foi encontrado morto no último sábado (22) dentro de casa, no Alto de Pinheiros, Zona Oeste de São Paulo.
Exames complementares do Instituto Médico Legal (IML) ainda vão confirmar oficialmente a causa da morte. O caso é investigado como homicídio pelo Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP).
A Polícia Civil analisa imagens de câmeras de segurança que mostram dois homens deixando a residência da vítima na madrugada de sábado. Eles são, até o momento, os únicos suspeitos identificados nas investigações. Nenhum objeto de valor aparenta ter sido levado.
A diretora do DHPP, delegada Ivalda Aleixo, afirmou que ao menos duas pessoas podem ter participado diretamente do assassinato.
“Tudo indica que realmente foi um homicídio. Pode ter sido praticado por mais de uma pessoa. Temos suspeitos, mas ainda não há como fechar a autoria”, disse.
O corpo de Betto foi encontrado por um sócio e uma prima, após ele não responder a ligações. A vítima estava sem roupas, ajoelhada ao lado da cama, com sinais de asfixia e agressões.
Segundo a Polícia Militar, havia fios de telefone amarrados nos punhos e joelhos, possivelmente usados para imobilizá-lo ou estrangulá-lo. Um travesseiro estava sob a cabeça da vítima, e a boca estava “amordaçada com uma toalha presa por um fio semelhante ao de carregador”, conforme o boletim de ocorrência.
Havia ainda equimoses nos braços, ombros e nariz, além de uma marca de mordida no braço direito.
Uma faca sem manchas de sangue foi localizada na pia do banheiro. Já o travesseiro e um lençol do quarto tinham marcas de sangue. A perícia busca confirmar se o material é de Betto e se a arma foi usada para ameaças. A vítima não apresentava ferimentos compatíveis com golpes de faca.
A mãe idosa de Betto e dois inquilinos, que moram nos fundos da propriedade, disseram não ter ouvido sons incomuns. Um locatário relatou que, na madrugada, o cabeleireiro pediu “uma folha de seda e uma toalha”, sugerindo que ele estivesse acompanhado.
Betto morava no piso superior do sobrado e mantinha um salão no térreo.
A polícia apura possíveis motivações. Betto havia sido denunciado anteriormente por um ex-namorado, que o acusou de ameaças após o término há cerca de dois meses. Depois do fim do relacionamento, ele passou a usar aplicativos de relacionamento, onde conheceu novos parceiros.
Uma vizinha contou ter ouvido vozes e o portão sendo aberto, mas não associou o movimento a uma situação de violência.
O carro alugado utilizado pela vítima foi apreendido e está passando por perícia. A polícia tenta reconstruir o trajeto percorrido horas antes do crime.
A investigação segue em andamento.
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