Floyd L. Wallace Jr. foi preso no centro de São Paulo na segunda-feira (22) durante uma operação que investiga um esquema internacional de turismo sexual e exploração sexual de crianças e adolescentes no Brasil

William Oliveira Publicado em 23/12/2025, às 08h37
Um cidadão norte-americano foi preso na região central de São Paulo, no bairro da Liberdade, na segunda-feira (22), suspeito de envolvimento em crimes de exploração sexual infantil e turismo sexual no Brasil. A detenção ocorreu no âmbito da Operação Passport, conduzida pela Polícia Civil do Rio de Janeiro com apoio do Ministério da Justiça e Segurança Pública, do Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab) e da Polícia Civil de São Paulo.
O suspeito foi identificado como Floyd L. Wallace Jr., de 30 anos, influenciador digital e integrante do movimento conhecido como “Passport Bros”, grupo investigado por utilizar poder econômico para explorar vulnerabilidades sociais em países da América Latina e do Sudeste Asiático. Em publicações nas redes sociais, Wallace se autodenominava “turista sexual” e afirmava viajar exclusivamente para manter relações sexuais, evitando vínculos afetivos.
As investigações apontam que Wallace estaria envolvido em um esquema de aliciamento e possível exploração sexual de crianças e adolescentes, especialmente no Rio de Janeiro. O caso veio à tona após denúncias de motoristas de aplicativos, que relataram corridas suspeitas solicitadas por um estrangeiro que não estava presente no local de embarque. Segundo os relatos, ele coordenava remotamente o transporte de menores, fornecendo códigos de validação e orientações sobre o destino.
Durante os trajetos, as vítimas relataram que encontrariam homens estrangeiros que não falavam português e demonstraram confusão quanto ao destino final e à identidade das pessoas com quem se encontrariam. A análise das corridas revelou um padrão de deslocamentos concentrados em áreas próximas a comunidades, hotéis e imóveis utilizados para hospedagem temporária.
No cumprimento do mandado de busca e apreensão, os agentes encontraram um pendrive contendo um vídeo de abuso sexual envolvendo uma criança de seis anos, supostamente produzido por Wallace com o consentimento de uma mulher, possivelmente a mãe da vítima. Também foram apreendidos diversos celulares e equipamentos de produção de conteúdo digital, que passarão por perícia técnica para identificação de outras possíveis vítimas e da extensão da rede criminosa.
Segundo as autoridades, Wallace financiava suas viagens internacionais por meio de doações e patrocínios de financiadores estrangeiros, em troca da transmissão de atos sexuais. Para dificultar o rastreamento, ele utilizava múltiplos pseudônimos, endereços eletrônicos e excluía frequentemente seus perfis nas redes sociais.
As forças de segurança dos Estados Unidos informaram que o suspeito possui histórico criminal, incluindo registros por resistência à prisão e agressão a agentes da lei, além de classificá-lo como uma pessoa altamente perigosa. As investigações seguem em andamento para identificar outras possíveis vítimas e verificar se crimes semelhantes foram cometidos fora do Brasil.
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