O atual prefeito de São Paulo completou dizendo que “aquelas pessoas que a gente viu ali, a grande maioria humildes, ambulantes, aposentados”

por Marina Milani
Publicado em 16/07/2024, às 08h30
O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), afirmou nesta segunda-feira (15) que não considera o 8 de Janeiro uma tentativa de golpe de Estado. Em sabatina promovida pelo site UOL e pelo jornal Folha de S. Paulo, Nunes se autointitulou um “defensor extremista da democracia” e comparou o episódio ocorrido em Brasília à invasão do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) a prédios do Ministério da Fazenda em Brasília e São Paulo, em 2015. “Aquelas pessoas que a gente viu ali, a grande maioria (são pessoas) humildes, ambulantes, aposentados”, disse Nunes, acrescentando que, embora tenham cometido um erro gravíssimo e devam pagar por isso, está muito distante de ser considerado uma tentativa de golpe de Estado.
Nunes comparou o 8 de Janeiro ao 23 de setembro de 2015, quando integrantes do MTST invadiram prédios do Ministério da Fazenda para protestar contra a proposta de ajuste fiscal e a política econômica do governo da então presidente Dilma Rousseff. Na ocasião, Guilherme Boulos, hoje deputado federal pelo PSOL-SP e adversário de Nunes, era coordenador do MTST.
“Se a gente entrar no Google e colocar ‘Boulos invade ministério’ vai sair na capa a foto do Boulos em cima da mesa de uma invasão de um prédio público do Ministério da Fazenda. Não tem diferença com relação à questão das invasões do prédio público (do 8 de Janeiro)”, afirmou Nunes.
O episódio de 8 de Janeiro não é um caso isolado. A operação Tempus Veritatis, deflagrada pela Polícia Federal em 8 de fevereiro deste ano, investiga uma organização suspeita de tentar realizar um golpe de Estado e abolir o Estado Democrático de Direito após as eleições de 2022. Segundo as investigações, aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro estariam envolvidos na execução desse plano, que tinha como objetivos desacreditar o processo eleitoral, planejar e executar o golpe de Estado e garantir a permanência do mesmo grupo no poder.
Nunes rejeitou novamente o rótulo de “bolsonarista”, declarando-se um “ricardista” e um “apaixonado pela cidade”. Ele enfatizou sua abertura ao diálogo com vereadores de todos os partidos e seu respeito por posicionamentos contrários. Nunes mencionou o apoio de Bolsonaro à sua pré-candidatura e destacou o acordo entre a prefeitura e o governo federal que resultou na extinção da dívida de São Paulo com a União, em troca da cessão do Campo de Marte à Aeronáutica.
Em uma entrevista ao Roda Viva em julho de 2021, Nunes classificou tanto Lula quanto Bolsonaro como “extremos” e criticou a defesa de Bolsonaro pelo voto impresso. Ele considerou essa defesa “totalmente inadequada” e “sem sentido” e destacou que é “totalmente fora do contexto e do momento” colocar em dúvida o processo eleitoral, como fez Bolsonaro.
Nunes evitou comentar sobre a relação entre o ex-prefeito Bruno Covas, de quem foi vice, e Bolsonaro. Durante seu mandato como presidente, Bolsonaro se referiu a Covas como “o outro, que morreu”, declaração que Nunes criticou na época. O prefeito ressaltou que não é obrigado a concordar com tudo o que Bolsonaro diz, e vice-versa. Ele argumentou que, no atual momento político, é de “fundamental importância” vencer a “extrema esquerda”.
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