Ministério Público de São Paulo aprova indenização para promotores, com valores que podem ultrapassar R$ 1 milhão

William Oliveira Publicado em 15/02/2025, às 08h00
O Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP), anunciou a autorização para o pagamento de uma verba indenizatória a cerca de 1.900 promotores e procuradores de justiça, relativa ao período de 13 de janeiro de 2015 a 31 de novembro de 2024. Essa compensação é uma resposta à sobrecarga de trabalho desses profissionais, seguindo recomendação do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) emitida em 2022.
O valor da indenização pode ultrapassar o teto constitucional de R$ 46 mil, com base nos salários dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). No entanto, a quantia será tratada como verba indenizatória, isenta de tributação, permitindo que muitos promotores recebam mais de R$ 100 mil nos próximos meses, e em situações excepcionais, até mais de R$ 1 milhão.
Para ter direito à compensação, os membros do Ministério Público precisam comprovar excesso de trabalho. Embora a situação possibilite a concessão de até dez dias de licença compensatória por mês, muitos preferem receber a compensação em dinheiro, devido às dificuldades de se afastar das funções.
Em 3 de fevereiro, o procurador-geral de Justiça, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, divulgou um ofício comunicando a decisão e informando que será realizado um cálculo adicional para identificar novas verbas compensatórias, considerando regras atualizadas para a licença compensatória entre 1° de setembro de 2023 e 30 de novembro de 2024.
O Sindicato dos Servidores do Ministério Público de São Paulo (Sindsemp-SP) manifestou-se contra o pagamento retroativo da indenização, destacando uma defasagem salarial acumulada de 30% desde 2015. A entidade também expressou preocupação com a distribuição desigual dos recursos.
"Enquanto 'não há verba para os servidores', os membros (apenas promotores e procuradores) receberão [...] o pagamento em pecúnia de 10 dias de auxílio-acervo, o que dá cerca de R$ 12 mil para cada. O auxílio remunera promotores de Justiça por aquilo que eles já deveriam fazer mediante o bom salário que recebem. Os penduricalhos [...] ultrapassam - e muito - o caráter de qualquer indenização com seus montantes vultosos", afirmou em comunicado.
Em 13 de fevereiro, servidores do Ministério Público se reuniram em frente à sede da instituição na capital paulista, usando narizes de palhaço como forma de protesto contra a disparidade salarial e os "supersalários". No mesmo dia, o procurador-geral publicou um vídeo nas redes sociais, expressando seu apreço pelos servidores, o que gerou uma onda de comentários negativos.
A presidente do Sindsemp-SP, Ticiane Lorena Natale, relatou que a mensagem foi mal recebida e que muitos servidores estão revoltados com a situação. Durante uma reunião aberta com 260 participantes, muitos manifestaram o desejo de entrar em greve devido à distribuição desigual dos recursos, enquanto os salários e condições de trabalho dos servidores permanecem precarizados.
Em resposta às controvérsias, o Ministério Público esclareceu que não há previsão imediata para o pagamento das indenizações. A instituição informou que os repasses ocorrerão de forma gradual e conforme a disponibilidade orçamentária, ressaltando que o direito reconhecido aos cerca de 1.900 membros está fundamentado em legislações vigentes.
"O direito ora reconhecido a cerca de 1.900 membros do Ministério Público, assim como já ocorreu com outras carreiras jurídicas, fundamenta-se na legislação vigente (leis federais 13.093 e 13095/2025) e foi chancelado pelos órgãos de controle, como o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) e o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), seguindo rigorosamente o comando constitucional da simetria com outras carreiras", afirmou o orgão.
Leia também

Nova namorada de Manoel Gomes, o Caneta Azul, faz revelação sobre vida íntima do casal

Relembre a Lei Mariana Ferrer, criada após revolta com audiência do caso

Caso Palmeiras: Laudo do IML não aponta lesões corporais, mas Polícia Civil mantém investigação de suposto abuso infantil

Silvia Abravanel anuncia pré-candidatura e disputa vaga na Câmara pelo PSD

Incêndio destrói galpão de distribuidora de autopeças na Lapa, em São Paulo

Cristiano Ronaldo faz história e Portugal atropela o Uzbequistão na Copa do Mundo

Seleção do Irã pede paz entre nações em carta deixada no vestiário após jogo da Copa

TSE manda apagar posts de integrantes do PT que relacionavam Flávio Bolsonaro ao Comando Vermelho

Ou você faz política ou você faz guerra

"Muito volátil", diz Trump; eleição no Brasil seria seu próximo grande desafio