Incluindo policiais, 16 envolvidos são acusados de crimes graves

Gabriela Thier Publicado em 24/12/2024, às 17h03
O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) apresentou, na última segunda-feira (23), uma denúncia contra um grupo de 16 indivíduos envolvidos em atividades ilícitas, incluindo formação de milícia privada, extorsão, lavagem de dinheiro e exploração de ambulantes, muitos dos quais são estrangeiros. A ação ocorreu na região do Brás, um dos principais centros de comércio popular da capital paulista.
Entre os denunciados, destacam-se cinco policiais militares e uma escrivã da polícia civil. Segundo informações do Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (GAECO), o grupo operava mediante a cobrança de taxas exorbitantes dos vendedores ambulantes que atuavam ilegalmente no local. Relatos de testemunhas indicam que os acusados exigiam um pagamento anual de R$15 mil, além de R$300 semanais para que os vendedores pudessem exercer suas atividades sem impedimentos.
A denúncia faz parte da Operação Aurora, que foi desencadeada em 16 de dezembro em parceria com as Corregedorias da Polícia Militar e da Polícia Civil. Até o momento, nove dos denunciados já se encontravam sob prisão preventiva antes da formalização da denúncia. A Justiça ainda não se pronunciou sobre a aceitação das acusações.
As investigações tiveram início a partir de informações recebidas pela Corregedoria da PM, que alertaram sobre a situação alarmante enfrentada pelos ambulantes. Estes frequentemente recorriam a agiotas para saldar as dívidas impostas pelos supostos milicianos. Os métodos utilizados para cobrar essas dívidas incluíam violência extrema, conforme relatado por vítimas do esquema.
A Operação Aurora resultou na execução de 15 mandados de prisão preventiva e 20 mandados de busca e apreensão. Durante as diligências, foram encontrados R$ 145 mil na residência de um dos investigados. Além disso, oito empresas e 21 pessoas tiveram seus sigilos bancário e fiscal quebrados. Seis policiais militares e um policial civil foram detidos durante a operação, enquanto um policial militar e uma policial civil permanecem foragidos.
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