Hospitais de referência em SP receberão novas ampolas de etanol para tratamento de intoxicações por metanol

William Oliveira Publicado em 03/10/2025, às 13h15
A partir desta sexta-feira (3), o governo do estado de São Paulo implementará um reforço no tratamento de intoxicações por metanol, com a distribuição de 2 mil ampolas de álcool etílico absoluto, um antídoto eficaz para esse tipo de intoxicação.
As ampolas serão destinadas aos principais centros de referência no estado, incluindo os Hospitais das Clínicas de São Paulo, Campinas e Ribeirão Preto. Antes dessa nova remessa, já existiam 500 unidades disponíveis nessas instituições.
O secretário de Estado da Saúde, Eleuses Paiva, enfatizou a importância da agilidade no atendimento:
"As primeiras horas após a ingestão de bebida alcoólica contaminada são decisivas para salvar vidas e o Estado de São Paulo está preparado com estoque do antídoto contra intoxicação por metanol."
O etanol farmacêutico surge como alternativa ao fomepizol, considerado o tratamento padrão internacional para intoxicações por metanol. Entretanto, o fomepizol não está disponível no mercado brasileiro. O etanol atua como antídoto ao inibir a conversão do metanol em ácido fórmico, substância extremamente nociva.
Embora o fomepizol seja reconhecido como o tratamento mais eficaz, devido à sua capacidade de bloquear a transformação do metanol em metabólitos tóxicos — que podem causar danos severos ao sistema nervoso e ao fígado — as autoridades brasileiras buscam alternativas imediatas.
Diante da gravidade da situação, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) entrou em contato com agências reguladoras internacionais para viabilizar a importação do fomepizol. Entre os órgãos abordados estão a FDA (Estados Unidos), EMA (União Europeia) e agências de países como Canadá, Reino Unido, Japão, China, Argentina, México, Suíça e Austrália. O objetivo é acelerar os processos necessários para trazer este medicamento ao Brasil, ampliando as opções de tratamento nas unidades hospitalares.
Intoxicação por metanol
Até a noite desta quinta-feira (2), São Paulo registrava 11 casos confirmados de intoxicação por metanol, com laudos que atestam a presença da substância e a confirmação das circunstâncias de ingestão. Outros 41 casos permanecem sob investigação, com indícios clínicos à espera de exames laboratoriais.
Houve uma morte confirmada por intoxicação por metanol após consumo de bebida adulterada: um homem de 54 anos, residente na capital paulista. Há ainda cinco mortes sob investigação, sem laudo conclusivo — três ocorrências na cidade de São Paulo (homens de 45, 50 e 70 anos) e duas em São Bernardo do Campo (homens de 49 e 58 anos).
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