Diário de São Paulo
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Armas somem de delegacia

Mais de 50 armas desaparecem de cofre em delegacia da Grande SP

Corregedoria da Polícia Civil abre inquérito para apurar sumiço de pistolas e revólveres apreendidos ao longo de dez anos

O episódio reabre discussões sobre a segurança no controle de armamentos, lembrando casos anteriores de desvios na polícia - Imagem: Reprodução/Google Maps
O episódio reabre discussões sobre a segurança no controle de armamentos, lembrando casos anteriores de desvios na polícia - Imagem: Reprodução/Google Maps

Letícia Sales Publicado em 25/02/2026, às 13h12


Mais de 50 armas desapareceram do cofre da delegacia de Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo. De acordo com registros internos, ao menos 52 pistolas e revólveres apreendidos entre 2011 e 2021 — ligados tanto a criminosos quanto a policiais envolvidos em ocorrências — sumiram do setor onde aguardavam perícias obrigatórias.

O caso passou a ser investigado pela Corregedoria da Polícia Civil de São Paulo após a própria unidade registrar boletim de ocorrência relatando o desaparecimento. A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo informou que foi instaurado inquérito policial e procedimento administrativo preliminar para apurar responsabilidades.

Segundo a pasta, foram solicitadas perícia técnica, análise dos livros obrigatórios de controle e oitivas de policiais. As investigações correm sob sigilo, com o objetivo de identificar os responsáveis e localizar o armamento.

Procurado, o secretário da Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves, afirmou que o número de 52 armas ainda é preliminar. “O BO informa esse número, mas ainda não temos o número exato”, declarou. Ele explicou que a delegacia realiza um inventário interno para verificar quantas armas estavam sob custódia e o que ainda permanece no cofre. “Está sendo feita uma auditoria interna também na delegacia. O relatório ainda não ficou pronto.”

Entre os itens desaparecidos há armas em perfeitas condições de uso, incluindo calibres .38 , frequentemente utilizados por criminosos, e .40, padrão adotado por forças policiais. A Corregedoria apura se houve falha nas vistorias periódicas e por que o sumiço não foi identificado anteriormente.

O episódio reacende o alerta sobre a custódia de armamentos dentro da corporação. Em 2014, um investigador do Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (Garra) foi preso sob suspeita de desviar 90 armas da própria sede da unidade, caso que também expôs fragilidades no controle interno.


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