Artur Gomes da Silva Neto é apontado como peça central de organização criminosa que teria movimentado mais de R$ 1 bilhão em créditos de ICMS

Letícia Sales Publicado em 11/06/2026, às 11h33
O ex-auditor fiscal Artur Gomes da Silva Neto voltou a ser preso nesta quinta-feira (11), após uma nova decisão da Justiça de São Paulo. Ele é investigado por supostamente liderar um esquema de corrupção na Secretaria da Fazenda e Planejamento do Estado de São Paulo (Sefaz-SP), que teria movimentado mais de R$ 1 bilhão em créditos de ICMS.
A prisão ocorreu nas primeiras horas da manhã. De acordo com as autoridades, os agentes responsáveis pelo cumprimento do mandado precisaram arrombar a porta da residência do investigado após ele não atender aos chamados.
A nova ordem de prisão preventiva foi expedida pelo juiz Guilherme Eduardo Martins Kellner, da 1ª Vara de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores da Capital. A decisão foi assinada no dia 3 de junho, mesma data em que outro magistrado da mesma vara havia autorizado a soltura do ex-auditor mediante monitoramento por tornozeleira eletrônica.
Na decisão, o juiz destacou que Artur exerceria um papel estratégico dentro de uma organização criminosa especializada na movimentação de grandes quantias de dinheiro por meio de práticas ilícitas.
“Trata-se de uma organização complexa, com facilidade para reinserção de integrantes nas atividades ilícitas”, escreveu o magistrado. Ele também apontou a existência de risco concreto de destruição de provas e de comunicação entre os investigados.
Em outro trecho da decisão, o juiz afirmou: “Deste modo, a custódia cautelar também se faz necessária para obstar a prática delitiva e evitar que novas condutas criminosas semelhantes venham a ocorrer”.
Segundo a Justiça, a manutenção da prisão preventiva busca garantir o andamento das investigações, preservar provas, assegurar a participação dos investigados nos atos processuais e proteger testemunhas envolvidas no caso.
As investigações apontam que Artur Gomes da Silva Neto seria o principal elo entre o setor público e o grupo criminoso, sendo classificado como o “núcleo público” da organização. Os investigadores afirmam que ele utilizava sua função para obter vantagens indevidas e favorecer contribuintes em processos administrativos.
O ex-auditor já foi denunciado em apurações relacionadas às empresas Fast Shop, Ultrafarma e Rede 28, além de ser alvo de outras investigações em andamento. Em um dos casos citados pela Justiça, ele teria participado diretamente da aprovação de pedidos de ressarcimento apresentados por filiais da empresa Autostar.
Até a última atualização do caso, a defesa de Artur Gomes da Silva Neto não havia se manifestado sobre a nova prisão.
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