Mariana Tavares relata necrose, sequelas físicas e psicológicas após três cirurgias em clínica privada e afirma ter sido coagida a não denunciar; caso reacende debate sobre responsabilidade médica e fiscalização no setor estético

Ana Beatriz Publicado em 14/04/2026, às 09h52
A influenciadora Mariana Tavares denunciou a clínica JK Estética Avançada por complicações graves após cirurgias estéticas, resultando em sequelas permanentes e impactos psicológicos, o que gerou grande repercussão nas redes sociais.
Mariana relatou complicações como necrose e deformidades, além de alegar falta de assistência médica adequada no pós-operatório e coação por parte do cirurgião para não buscar justiça, levantando questões sobre a segurança nos procedimentos estéticos.
O caso reacende o debate sobre os riscos associados a cirurgias estéticas no Brasil, com especialistas recomendando a verificação da qualificação dos profissionais e a estrutura das clínicas, enquanto a clínica e os profissionais ainda não se manifestaram publicamente sobre as acusações.
Uma denúncia feita pela influenciadora Mariana Tavares, que acumula mais de 4 milhões de seguidores, contra a clínica JK Estética Avançada ganhou forte repercussão nas redes sociais ao expor um relato detalhado de supostas complicações graves após procedimentos cirúrgicos estéticos realizados ao longo de três anos.
Segundo o depoimento, Mariana passou por três cirurgias, sendo as duas últimas classificadas como intervenções de “reparo”. No entanto, ela afirma que os procedimentos agravaram ainda mais o quadro inicial, resultando em sequelas físicas permanentes e impactos psicológicos profundos.
De acordo com o relato, entre as complicações estão áreas de necrose, queimaduras na região abdominal, assimetrias e deformidades corporais. A influenciadora também afirma que realizou uma das cirurgias apenas quatro meses após o parto, período considerado sensível para intervenções mais invasivas, o que pode aumentar riscos clínicos dependendo da avaliação médica individual.
Outro ponto destacado é a alegação de ausência de assistência adequada no pós-operatório. Mariana afirma não ter recebido suporte médico ou psicológico suficiente diante das complicações, o que teria contribuído para o agravamento do quadro emocional.
Ainda segundo o depoimento, o cirurgião responsável teria desencorajado a busca por vias judiciais, alegando que uma eventual ação não teria sucesso. A paciente descreve essa postura como uma forma de coação indireta, o que a manteve em silêncio por anos.
O caso também levanta questionamentos sobre protocolos de segurança. Mariana afirma que o próprio médico teria reconhecido mudanças nos procedimentos após o ocorrido, o que, segundo ela, indicaria possíveis falhas anteriores. A declaração, no entanto, não foi confirmada oficialmente até o momento.
A denúncia reacende um debate recorrente no Brasil sobre a crescente demanda por procedimentos estéticos e os riscos associados. De acordo com entidades médicas, complicações como infecções, necroses e problemas de cicatrização podem ocorrer, especialmente quando o paciente não está em condições ideais para a cirurgia.
Especialistas também alertam para a importância de verificar a qualificação do profissional, o registro em conselhos de medicina, a estrutura da clínica e o acompanhamento pós-operatório antes de realizar qualquer procedimento.
O caso segue repercutindo nas redes sociais e levanta um alerta importante: nem todos os resultados divulgados na internet refletem a realidade dos procedimentos estéticos, e a decisão por uma cirurgia deve ser tomada com base em informações completas, avaliação médica criteriosa e segurança.
Outro lado
Em nota oficial enviada pelo advogado Dr. Eduardo Maurício, a clínica JK Estética Avançada manifestou-se publicamente sobre o caso envolvendo a paciente Mariana Tavares, rebatendo as acusações de negligência. A instituição afirma que, ao contrário do que vem sendo veiculado, a paciente recebeu suporte médico integral e jamais ficou desassistida. Segundo a defesa, a clínica realizou todos os acompanhamentos necessários no período pós-operatório, o que incluiu, inclusive, a execução de duas cirurgias reparadoras sem qualquer custo adicional para a paciente, como parte de seu protocolo de suporte.
No que diz respeito às complicações clínicas, a JK Estética argumenta que intercorrências como a necrose são eventos devidamente descritos na literatura médica e que não estão integralmente sob o controle do profissional. A nota destaca que cada organismo responde de maneira individual a procedimentos cirúrgicos e ao processo de cicatrização, mesmo quando todas as técnicas adequadas e protocolos de segurança são rigorosamente adotados.
Apesar de defender a imprevisibilidade biológica do caso, a clínica informou que realizou uma análise criteriosa por meio de uma junta especializada interna. Com base em diretrizes de governança e com o objetivo de preservar seus padrões de qualidade assistencial e a segurança dos pacientes, a instituição deliberou pelo desligamento do profissional envolvido no atendimento de Mariana Tavares.
No âmbito jurídico, a JK Estética ressaltou que, até o presente momento, não houve qualquer intimação formal sobre ações judiciais cíveis propostas pela paciente para apuração de erro médico. A clínica encerra o comunicado criticando o que chamou de "tribunal da internet", afirmando que as redes sociais não são o meio legítimo para a apuração de fatos que exigem análise técnica e pericial. A defesa informou ainda que ataques, ofensas e eventuais práticas de difamação contra a marca estão sendo devidamente documentados e serão levados às vias judiciais para a proteção da reputação e da atividade profissional da clínica.
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