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Grupo de Stabile facilita ação de cambistas e sabota reconhecimento facial

Entre os problemas da gestão em exercício, o mais crítico é o caos no sistema de venda de ingressos

A gestão interina de Osmar Stabile aprofunda a crise no Corinthians com decisões controversas e falhas no sistema de venda de ingressos. - Imagem: Reprodução | Meu Timão
A gestão interina de Osmar Stabile aprofunda a crise no Corinthians com decisões controversas e falhas no sistema de venda de ingressos. - Imagem: Reprodução | Meu Timão

Jair Viana Publicado em 23/07/2025, às 07h50


A gestão interina de Osmar Stabile no Corinthians, que deveria trazer estabilidade após o afastamento de Augusto Melo, tem sido marcada por decisões polêmicas que aprofundam a crise institucional e financeira do clube. Um dos pontos mais graves é o colapso no sistema de venda de ingressos e a implementação desastrosa do reconhecimento facial — medida que deveria combater o cambismo, mas que, na prática, só facilitou sua ação.

A rescisão do contrato com a Bepass, empresa especializada em biometria facial, e a contratação da LigaTech — ligada à Omni, grupo envolvido em polêmicas durante a gestão de Andrés Sanchez — levantaram suspeitas de conflito de interesses. A LigaTech, que já operava no estádio, assumiu o projeto às pressas, mas os problemas não foram resolvidos. Torcedores relatam falhas no cadastro biométrico e ingressos sendo vendidos ilegalmente, como mostram prints de cambistas oferecendo entradas para o jogo contra o Cruzeiro com a promessa de acesso facilitado.

O plano de Augusto Melo para erradicar o cambismo, que previa a biometria facial como barreira intransponível, foi abandonado pela gestão interina. Agora, mesmo com a tecnologia ainda em vigor, o mercado paralelo de ingressos continua operando, com cambistas burlando o sistema e revendendo entradas pessoais e intransferíveis. A falha no controle de acesso não apenas prejudica torcedores legítimos, mas também compromete a segurança do estádio e a arrecadação do clube — já sufocado por dívidas.

A instabilidade gerada pela troca de fornecedores escancara a falta de planejamento da diretoria atual. A LigaTech, que herdou o projeto, não conseguiu implantar a biometria facial de forma funcional, o que resultou no pior público do ano na Neo Química Arena: apenas 34.211 torcedores contra o Bragantino. Enquanto isso, a torcida, que já lida com preços abusivos e desorganização, segue pagando o preço por decisões tomadas sem transparência.

A situação revela um padrão da gestão Stabile: ações paliativas, escolhas duvidosas e a perpetuação de problemas crônicos. Se o objetivo era restaurar a credibilidade do Corinthians, o efeito tem sido o oposto. Enquanto a diretoria interina não reconhecer a gravidade dos erros e corrigir o rumo, o clube continuará afundado em crises que poderiam — e deveriam — ser evitadas. A torcida merece respostas. Até agora, só recebeu mais motivos para desconfiar.


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