Criminosas se passaram por agentes de saúde para capturar o rosto da vítima e contratar empréstimos

Lívia Gennari Publicado em 05/05/2025, às 03h00
Francielli Kretchemer, moradora de São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, perdeu quase toda a sua aposentadoria após cair em um golpe de biometria facial. As criminosas se passaram por agentes de saúde do SUS e, sob o pretexto de antecipar uma cirurgia agendada, entraram no apartamento da vítima. Durante a visita, fingiram fazer uma fotografia para cadastro, mas, na verdade, capturaram o reconhecimento facial da mulher, utilizando a imagem para contratar empréstimos consignados em nome dela.
Com a fraude, dos R$ 1.518 mensais que a vítima recebe de aposentadoria, cerca de R$ 1.200 passaram a ser descontados automaticamente. Atualmente, Francielli tenta reverter a situação e está sobrevivendo com apenas R$ 300 por mês.
As investigações da Polícia Civil, baseadas em imagens de câmeras de segurança, levaram à identificação e prisão de duas mulheres envolvidas no crime: Joyce Melo dos Santos e Denise Silveira Pinheiro.
Na residência de Denise, foi encontrado um jaleco, usado para reforçar a farsa de que ambas seriam funcionárias da saúde pública. As duas foram reconhecidas por ao menos três vítimas. Denise já era investigada por um crime de estelionato contra a Caixa Econômica Federal, segundo o delegado Américo dos Santos Neto. Ela chegou a ser detida, mas foi solta.
A Prefeitura de São Bernardo do Campo divulgou uma nota de alerta à população, esclarecendo que “agentes comunitários de saúde não realizam filmagens ou fotografias do rosto dos pacientes, não solicitam impressões digitais durante visitas domiciliares e não coletam nenhum dado biométrico”.
A Polícia Civil segue com as investigações para identificar e prender outros quatro suspeitos de envolvimento no esquema. Até o momento, mais três vítimas reconheceram as golpistas e denunciaram prejuízos semelhantes.
As autoridades ainda reforçam o alerta para que a população desconfie de visitas inesperadas, mesmo que os supostos profissionais estejam uniformizados. Em casos de dúvida, a recomendação é não permitir o acesso ao imóvel e entrar em contato com a unidade de saúde mais próxima ou com a polícia. O caso serve de alerta para os riscos do uso indevido da biometria facial e das estratégias cada vez mais elaboradas usadas por golpistas.
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