Diário de São Paulo
Siga-nos
Investigação

Gaeco mira ex-servidores da Prefeitura de São Paulo em esquema de fraude em licitação de R$ 1 bilhão

Operação Ar Frio busca provas contra dois ex-funcionários exonerados em março, suspeitos de direcionar compra milionária de ar-condicionado em troca de propina

Diligências em endereços dos investigados visam coletar provas para inquérito sobre fraudes em processos licitatórios - Imagem: Divulgação/MP-SP
Diligências em endereços dos investigados visam coletar provas para inquérito sobre fraudes em processos licitatórios - Imagem: Divulgação/MP-SP

Letícia Sales Publicado em 07/07/2026, às 08h01


O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo, deflagrou nesta terça-feira (7) a Operação Ar Frio, com o objetivo de cumprir mandados de busca contra dois ex-servidores da Prefeitura de São Paulo. Os alvos são investigados por fraudar processos licitatórios em benefício próprio, favorecendo empresas e grupos previamente combinados em troca de vantagens indevidas.

Os dois profissionais foram exonerados de seus cargos em março deste ano. Um deles atuava na Secretaria Municipal de Infraestrutura e Obras, enquanto o outro ocupava a função de coordenador de licitações na Secretaria Municipal das Subprefeituras. Nem a sede da prefeitura nem as secretarias envolvidas foram alvo das buscas realizadas nesta terça.

O caso do ar-condicionado bilionário

No centro da investigação está uma licitação avaliada em R$ 1 bilhão, destinada à compra de aparelhos de ar-condicionado para prédios públicos. O processo chegou a ser suspenso em meio às suspeitas de irregularidades, mas foi retomado depois que os dois servidores deixaram seus cargos.

A denúncia que deu origem à apuração chegou ao Ministério Público em fevereiro. Segundo o órgão, os fatos investigados teriam ocorrido entre 2022 e 2025, período em que os ex-servidores estariam atuando para direcionar contratos públicos a fornecedores específicos.

Suspeita de enriquecimento incompatível

Uma das principais linhas de apuração busca confirmar se os investigados receberam propina pelo direcionamento das licitações. O indício mais forte, segundo o MP, é a incompatibilidade entre o patrimônio acumulado pelos dois e os rendimentos que declararam formalmente.

Em nota, o Ministério Público afirmou que "os valores obtidos seriam incompatíveis com os rendimentos formalmente declarados pelos investigados, havendo indícios de aquisição de imóveis, veículos e outros bens por meio de interpostas pessoas, o que, em tese, pode configurar também ocultação de patrimônio de origem ilícita".

Buscas e apreensões

As diligências desta terça-feira foram realizadas em endereços ligados aos dois ex-servidores, tanto na capital paulista quanto em municípios da região metropolitana. A ação teve como finalidade recolher documentos e outros materiais que possam contribuir para o avanço do inquérito. Os celulares dos dois investigados foram apreendidos pelas equipes do Gaeco.

Possíveis crimes

De acordo com o Ministério Público, as condutas apuradas podem, em tese, configurar os crimes de corrupção, fraude em licitações e lavagem de capitais. A investigação segue em andamento e novas fases podem ser deflagradas conforme o avanço das apurações.


últimas notícias