Levantamento aponta mais de uma ocorrência por dia na malha ferroviária paulista; linhas privatizadas registram maior alta proporcional, enquanto a Linha 3-Vermelha lidera em número absoluto de falhas.

Julio Cezar Souza Publicado em 08/07/2026, às 08h00
O sistema de trens e metrôs de São Paulo registrou aumento de 27% no número de falhas técnicas durante o primeiro semestre de 2026. Levantamento da produção da TV Globo, baseado no acompanhamento diário das ocorrências operacionais, contabilizou 205 problemas entre janeiro e junho, contra 161 no mesmo período do ano passado. O volume representa uma média superior a uma falha por dia e já corresponde a 66% de todas as ocorrências registradas ao longo de 2025.
O levantamento considera problemas como falhas em trilhos, equipamentos, rede aérea, sistemas de sinalização, descarrilamentos e outros defeitos mecânicos. Casos relacionados a suicídios, atropelamentos, acidentes entre trem e plataforma ou alagamentos não entram na contagem.
Embora tenha apresentado redução em relação ao ano passado, a Linha 3-Vermelha do Metrô foi a que mais concentrou registros, com 28 ocorrências no semestre. Em seguida aparecem a Linha 7-Rubi, operada pela TIC Trens, com 21 falhas, e a Linha 8-Diamante, administrada pela ViaMobilidade, com 20.
As concessionárias privadas foram responsáveis pelo maior crescimento proporcional. Juntas, as linhas concedidas somaram 89 falhas no período, alta de 56% em comparação às 57 registradas no primeiro semestre de 2025.
O maior aumento ocorreu na Linha 7-Rubi, que passou de três para 21 ocorrências, crescimento de 600%. A TIC Trens assumiu a operação da linha apenas em novembro de 2025. A Linha 4-Amarela também apresentou avanço expressivo, passando de cinco para 16 falhas, enquanto a Linha 5-Lilás teve aumento de 41,7%. Já a Linha 8-Diamante foi uma das poucas a registrar queda, passando de 24 para 20 ocorrências.
As linhas ainda administradas pela CPTM também apresentaram crescimento. Foram 34 falhas nos primeiros seis meses deste ano, ante 18 no mesmo intervalo de 2025. A Linha 11-Coral registrou aumento de 275%, enquanto a Linha 10-Turquesa teve crescimento de 350%.
Em sentido contrário, as linhas operadas diretamente pelo Metrô reduziram o total de falhas em 8% na comparação anual. O sistema contabilizou 78 ocorrências neste semestre, contra 85 no mesmo período do ano passado. Além da queda na Linha 3-Vermelha, também houve redução nas linhas 1-Azul e 12-Safira.
Na última semana, durante a inauguração da Linha 6-Laranja, o governador Tarcísio de Freitas afirmou que o aumento das falhas preocupa o governo estadual e reconheceu que parte dos problemas tem origem em deficiências estruturais acumuladas ao longo dos anos.
Segundo o governador, investimentos vêm sendo realizados para corrigir falhas em sistemas de alimentação elétrica, aterramento da rede aérea, sinalização e infraestrutura ferroviária. Ele também destacou a implantação de um novo sistema europeu de comunicação, que deverá permitir a redução do intervalo entre trens dos atuais seis ou sete minutos para cerca de dois minutos e meio nos próximos anos.
Em nota, o Metrô informou que iniciou um novo programa de manutenção, ampliou o uso de tecnologias de inteligência artificial para monitoramento de equipamentos, investiu em sistemas automatizados de inspeção dos trilhos e está na fase final de testes do sistema CBTC na Linha 3-Vermelha, dentro de um programa de modernização avaliado em R$ 700 milhões.
A TIC Trens afirmou que segue um cronograma de investimentos em infraestrutura e modernização previsto até 2031, enquanto a Motiva, controladora da ViaMobilidade e ViaQuatro, informou que mantém programas permanentes de manutenção preventiva, monitoramento tecnológico e renovação dos sistemas de energia, sinalização e via permanente.
A CPTM declarou que realiza monitoramento contínuo de seus ativos com ações preventivas, preditivas e corretivas para reduzir impactos aos passageiros. Já a Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) afirmou que acompanha permanentemente os indicadores operacionais das concessionárias e poderá aplicar multas entre R$ 40 mil e R$ 4 milhões caso sejam identificados descumprimentos contratuais.

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