Casos de violação de ordens judiciais cresceram quase 32% no primeiro trimestre de 2026 e reforçam alerta sobre avanço da violência doméstica em São Paulo.

Ana Beatriz Publicado em 06/05/2026, às 15h04
O estado de São Paulo enfrenta um aumento alarmante nos casos de violência contra a mulher, com o descumprimento de medidas protetivas atingindo o maior nível histórico desde janeiro de 2024, com 1.083 ocorrências registradas em março de 2026, um caso a cada 41 minutos.
No primeiro trimestre de 2026, as ocorrências de violência doméstica cresceram 14,3% e os feminicídios alcançaram um recorde de 86 casos, representando um aumento de 41% em relação ao ano anterior, evidenciando um agravamento da situação.
Em resposta ao aumento das violações, as prisões em flagrante por descumprimento de medidas protetivas também subiram, passando de 5,1 mil para 5,7 mil, enquanto especialistas e organizações pedem melhorias na proteção às mulheres e no monitoramento de agressores.
O estado de São Paulo enfrenta um avanço preocupante nos casos de violência contra a mulher. Dados divulgados pela Secretaria da Segurança Pública de São Paulo apontam que o número de descumprimentos de medidas protetivas de urgência atingiu o maior patamar da série histórica iniciada em janeiro de 2024.
Somente em março deste ano, foram registradas 1.083 ocorrências de violação de medidas protetivas no estado. O volume representa, na prática, um caso a cada 41 minutos. Em comparação com março de 2025, houve aumento de 34%, com 275 registros a mais.
O crescimento também se reflete no acumulado do ano. Entre janeiro e março de 2026, os casos de descumprimento aumentaram 31,9% em relação ao mesmo período do ano passado, reforçando o cenário de agravamento da violência doméstica em território paulista.
Os números acompanham outro dado alarmante. As ocorrências de violência doméstica cresceram 14,3% no primeiro trimestre deste ano. Já os feminicídios atingiram recorde histórico no estado, com 86 casos registrados apenas nos três primeiros meses de 2026, alta de 41% na comparação anual.
Além do aumento das denúncias, a SSP informou que as prisões em flagrante por descumprimento de medidas protetivas também cresceram. O número passou de 5,1 mil para 5,7 mil ocorrências, indicando intensificação das ações policiais diante das violações.
Segundo a coordenadora das Delegacias de Defesa da Mulher, Cristiane Braga, a medida protetiva possui força legal e o desrespeito à determinação judicial configura crime. De acordo com ela, o descumprimento não pode ser tratado como algo simbólico e gera consequências criminais imediatas.
As medidas protetivas de urgência são previstas pela Lei Maria da Penha e têm como objetivo afastar o agressor da vítima, impedir aproximação e contato, além de oferecer mecanismos de proteção em situações de risco. O descumprimento pode resultar em prisão em flagrante e pena de detenção.
Especialistas apontam que o aumento dos casos pode estar ligado tanto ao crescimento da violência quanto ao maior número de denúncias e registros formais realizados pelas vítimas. Ainda assim, os dados acendem um alerta sobre a efetividade da proteção às mulheres e a reincidência de agressores mesmo após decisões judiciais.
Organizações de defesa dos direitos das mulheres também defendem o fortalecimento da rede de acolhimento, ampliação das Delegacias de Defesa da Mulher e monitoramento mais rígido de agressores que já possuem histórico de violência doméstica.
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