A proposta do deputado Guilherme Cortez busca reconhecer a luta de Eunice Paiva

Gabriela Thier Publicado em 05/03/2025, às 16h02
Em um ato simbólico e significativo, o deputado estadual Guilherme Cortez, do PSOL, protocolou nesta quarta-feira (5) um projeto de lei na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) com a proposta de renomear a rodovia estadual Presidente Castello Branco (SP 280) para rodovia Eunice Paiva. A iniciativa surge após a recente consagração do filme "Ainda Estou Aqui", que retrata a vida da protagonista Eunice Paiva e foi premiado no Oscar 2025.
Cortez fundamentou sua proposta ao afirmar que Humberto de Alencar Castello Branco, ex-presidente militar, foi uma figura central na articulação do golpe militar de 1964, evento que resultou na morte do deputado Rubens Paiva, esposo de Eunice. Segundo ele, a mudança do nome da rodovia seria uma forma de honrar a memória de Eunice, que se destacou como defensora dos direitos humanos e da justiça social no Brasil.
A rodovia em questão, inaugurada em 1968 e com extensão de 315 km, inicia-se no Cebolão, em São Paulo, atravessa importantes municípios da Região Metropolitana e termina no interior do estado, conectando Espírito Santo do Turvo e Santa Cruz do Rio Pardo.
No texto justificativo do projeto, o deputado enfatizou que o golpe militar de 1964 representou o início de uma era marcada pela repressão e pela violência no Brasil. Ele ressaltou que Castello Branco, promovido a general-de-Exército em 1962, foi um dos principais arquitetos do golpe que depôs o presidente João Goulart e assumiu a presidência por meio de eleição indireta em 15 de abril de 1964.
Cortez argumentou ainda que durante seu governo, Castello Branco implementou um conjunto de medidas legais que legitimaram o endurecimento do regime militar, incluindo intervenções em sindicatos, dissolução de entidades estudantis e prisões arbitrárias.
Além disso, o deputado destacou a trajetória de Eunice Paiva. Nascida em São Paulo, ela foi presa durante o regime militar e, após sua libertação, dedicou-se à incansável busca por informações sobre o paradeiro de seu marido desaparecido. Cortez lembrou que Eunice lutou pelo reconhecimento oficial da morte de Rubens Paiva e pela localização de seu corpo, algo que nunca foi atendido pelo Estado brasileiro.
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