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Direitos trabalhistas

Dentista é condenada por assédio sexual e abuso de poder em clínica de SP

Ex-funcionários relatam situações de constrangimento; defesa nega acusações e promete recurso

Larissa Bressan planeja recorrer da decisão, mantendo sua inocência diante das acusações de assédio sexual - Imagem: Reprodução/O Globo
Larissa Bressan planeja recorrer da decisão, mantendo sua inocência diante das acusações de assédio sexual - Imagem: Reprodução/O Globo

Gabriela Nogueira Publicado em 19/12/2025, às 15h21


A dentista Elaine Larissa Silva Barreira Bressan, conhecida como Larissa Bressan, foi condenada pela Justiça a 4 anos, 3 meses e 15 dias de prisão por assédio sexual contra ex-funcionários de sua clínica odontológica, localizada em um bairro nobre de São Paulo. A decisão reconheceu que ela se aproveitou da posição de chefia para constranger e coagir colaboradores durante o expediente.

O caso ganhou repercussão após denúncias exibidas em uma reportagem do programa Fantástico, que motivou a abertura de um inquérito policial. A partir das investigações, ex-funcionários passaram a relatar episódios recorrentes de abuso, intimidação e situações de forte constrangimento dentro do ambiente de trabalho.

Segundo os depoimentos reunidos no processo, Larissa exigia comportamentos de cunho sexual das funcionárias e funcionários, incluindo a participação em videochamadas com desconhecidos por meio de aplicativos de relacionamento. Também há relatos de contatos físicos forçados e de situações criadas com o objetivo de satisfazer interesses pessoais da dentista.

Na sentença, a juíza responsável destacou que a ré utilizava sua autoridade hierárquica para impor essas condutas, explorando a vulnerabilidade das vítimas. A maioria dos trabalhadores era jovem, tinha pouca experiência profissional e dependia financeiramente do emprego, com salários considerados baixos.

Testemunhas afirmaram ainda que Larissa recorria a ameaças veladas para inibir denúncias, mencionando vínculos familiares com autoridades da área jurídica e policial. Esse comportamento, segundo a decisão, contribuiu para o medo e o silêncio de parte das vítimas por um longo período.

A condenação inclui penas de detenção e reclusão, com possibilidade de início em regime fechado, além do pagamento de indenização correspondente a dois salários mínimos para cada uma das seis vítimas reconhecidas no processo. O caso corre sob segredo de justiça.

Ao todo, 11 ex-funcionários relataram experiências semelhantes durante a apuração jornalística que revelou o caso. Alguns afirmaram ter deixado o trabalho após poucos dias, enquanto outros permaneceram por mais tempo antes de se afastar. Em relatos à Justiça, eles descreveram um ambiente de trabalho marcado por medo, humilhação e abuso de poder.

A defesa de Larissa Bressan informou que ela pretende recorrer da decisão em liberdade e reafirmou a inocência da dentista.


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