Relatórios apontam indícios de trânsito de recursos de terceiros na conta de Fabiano Zettel

Redação Publicado em 12/03/2026, às 17h25
Relatórios de inteligência financeira enviados ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontam que o empresário e pastor Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, movimentou R$ 99,4 milhões em um período de pouco mais de sete meses. As operações ocorreram entre 11 de junho de 2021 e 26 de janeiro de 2022, segundo os registros bancários analisados.
Zettel é casado com Natália Vorcaro, irmã do banqueiro, e atua como pastor na Igreja Batista da Lagoinha.
De acordo com os documentos, R$ 49,9 milhões entraram na conta do empresário e R$ 49,3 milhões foram transferidos a terceiros no mesmo período, o que representa uma média mensal de movimentação de cerca de R$ 14,2 milhões.
Os informes encaminhados ao Coaf destacam que o volume de transações chama atenção por não corresponder à renda declarada por Zettel, estimada em R$ 66,7 mil. A avaliação registrada nos relatórios indica que a conta teria sido “aparentemente” utilizada para circulação de recursos pertencentes a terceiros.
Fluxo financeiro milionário
Do total recebido, a maior parte, sendo R$ 36,6 milhões, teve origem em transferências feitas pelo próprio escritório de advocacia de Zettel. Também aparecem transferências vinculadas à Moriah Asset, gestora fundada por Zettel em 2019 e voltada à aquisição de participações em empresas nas áreas de saúde, bem-estar e mídia. A empresa teve suas atividades suspensas por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) no início deste mês.
No sentido contrário, os registros mostram que R$ 25,6 milhões foram transferidos para o Fundo Leal. O fundo tem Zettel como único proprietário e, ao mesmo tempo, figura como cotista de outro veículo financeiro, o Arleen. Esse fundo adquiriu, em setembro de 2021, a participação da Maridt, empresa da família do ministro do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli.
Os relatórios também apontam repasses de R$ 1,5 milhão ao empresário Luís Roberto Neves, realizados em duas transferências de R$ 750 mil cada. Ele é irmão de Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de Fiscalização do Banco Central.
Paulo Sérgio foi afastado do cargo em janeiro, pela própria autoridade monetária, e posteriormente, se tornou alvo da terceira fase da Operação Compliance Zero, que investiga possíveis irregularidades envolvendo o sistema financeiro.
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