Suspeitos se aproveitaram da confiança das vítimas; cinco já foram identificados pela polícia

Letícia Sales Publicado em 05/05/2026, às 10h31
As investigações sobre o estupro coletivo de duas crianças na zona leste de São Paulo revelaram que os suspeitos usaram um convite aparentemente inocente para cometer o crime. Segundo a Polícia Civil, os agressores chamaram os meninos, de 7 e 10 anos, para soltar pipa antes de levá-los ao local onde ocorreram os abusos, no dia 21 de abril.
De acordo com a delegada responsável pelo caso, Janaína da Silva Dziadowczyk, os envolvidos eram conhecidos das vítimas, o que facilitou a abordagem. “Eles eram vizinhos e as crianças tinham confiança neles. Chamaram pra soltar pipa. Eles foram atraídos para esse imóvel porque falaram: ‘vamos soltar pipa, aqui tem uma linha’, afirmou.
Denúncia partiu de familiar após vídeo circular
O caso só veio à tona três dias depois, quando a irmã de uma das vítimas reconheceu o menino em imagens que circulavam nas redes sociais e procurou a delegacia. Segundo a polícia, a denunciante não morava mais com a família e teve dificuldade em fornecer detalhes iniciais.
“A família saiu com medo da comunidade. Teve gente que saiu com a roupa do corpo. Então, foi uma dificuldade encontrar essas vítimas”, relatou a delegada.
As crianças foram localizadas, ouvidas e submetidas a exames. Paralelamente, a polícia iniciou uma operação que conseguiu identificar os envolvidos em poucos dias.
Prisões e investigação continuam
Até o momento, cinco suspeitos foram identificados — quatro adolescentes e um adulto. Três menores já haviam sido apreendidos, e um adolescente de 15 anos foi detido mais recentemente. O único maior de idade foi preso na Bahia e deve ser transferido para São Paulo.
Todos devem responder por estupro de vulnerável, divulgação de imagens envolvendo menores e corrupção de menores.
Segundo a investigação, o adulto preso teria sido responsável por iniciar as gravações do crime e compartilhar o material por meio de aplicativos de mensagens, o que levou à disseminação nas redes.
Agora, a polícia trabalha para identificar quem divulgou os vídeos. “No primeiro momento a gente tinha a prioridade de identificar os agressores. No segundo momento vamos atrás para saber quem divulgou essas imagens”, afirmou o delegado responsável pelo distrito.
Famílias foram ameaçadas e recebem apoio
As autoridades também investigam relatos de ameaças contra as famílias das vítimas, que teriam sido pressionadas a não registrar ocorrência.
“As vítimas estavam sendo pressionadas para não registrarem boletim de ocorrência na delegacia. Embora estivesse circulando na internet, a família não havia registrado queixa”, disse a delegada.
A Prefeitura de São Paulo informou que as crianças e seus familiares foram acolhidos em locais protegidos e recebem acompanhamento psicológico. O endereço foi mantido em sigilo, conforme previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente.
O caso segue em investigação.
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