Cobrança extra será de R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos, após redução das chuvas e maior uso de usinas termelétricas no país

Erika Osti Publicado em 24/04/2026, às 19h43
A conta de luz dos brasileiros ficará mais cara a partir de maio. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) informou nesta sexta-feira (24) que a bandeira tarifária passará para amarela, o que implica cobrança adicional de R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos. A decisão marca a primeira taxa extra aplicada em 2026 e reflete a mudança nas condições de geração de energia no país, com menor volume de chuvas e maior acionamento de usinas termelétricas, que têm custo mais elevado.
De janeiro a abril, a bandeira permaneceu verde, cenário em que não há cobrança adicional nas tarifas devido às condições favoráveis dos reservatórios das hidrelétricas. Com a transição do período chuvoso para o seco, no entanto, a Aneel identificou queda nos níveis de água, o que reduz a capacidade de geração hidrelétrica e exige o uso de fontes mais caras para garantir o abastecimento.
O sistema de bandeiras tarifárias, criado em 2015, funciona como um indicativo direto do custo real da produção de energia no país. Quando a geração fica mais cara, como ocorre em períodos de estiagem, a cobrança extra é automaticamente repassada ao consumidor nas contas mensais. O modelo substituiu o antigo sistema em que esses custos eram incorporados apenas nos reajustes anuais das distribuidoras, muitas vezes com incidência de juros.
Na prática, a bandeira amarela representa condições menos favoráveis de geração. Caso o cenário se agrave, podem ser acionadas as bandeiras vermelhas, que têm taxas ainda mais altas. Atualmente, o patamar 1 adiciona R$ 4,46 a cada 100 kWh, enquanto o patamar 2 eleva esse valor para R$ 7,87.
A Aneel recomenda que os consumidores adotem hábitos de consumo mais conscientes para reduzir o impacto no orçamento e contribuir para a sustentabilidade do sistema elétrico. Especialistas apontam que o cenário climático ainda é incerto e pode pressionar os custos ao longo do ano, com possibilidade de novas elevações nas bandeiras tarifárias nos próximos meses.
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