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Moscou

Circo enfrenta despejo em terreno público avaliado entre R$ 60 milhões e R$ 100 milhões

O Circo Internacional de Moscou na Avenida Abel Ferreira foi notificado e multado em quase R$ 40 mil pela Subprefeitura de São Paulo

Área de 19 mil m² em Jardim Anália Franco, avaliada entre R$ 60 milhões e R$ 100 milhões, gera controvérsia. - Imagem: Divulgação / Circo Moscou
Área de 19 mil m² em Jardim Anália Franco, avaliada entre R$ 60 milhões e R$ 100 milhões, gera controvérsia. - Imagem: Divulgação / Circo Moscou

por Marina Milani

Publicado em 11/02/2025, às 15h19


Desde o início de 2022, o Circo Internacional de Moscou ocupa um terreno na Avenida Abel Ferreira, localizado no Jardim Anália Franco, Zona Leste de São Paulo. No entanto, a Subprefeitura da região notificou a trupe sobre a falta de alvará para a realização de shows, resultando em uma multa de quase R$ 40 mil e uma ordem para desocupação em um prazo de 15 dias. A saída do circo ainda não ocorreu, levando a subprefeitura a considerar medidas legais para garantir a desocupação.

A área em questão, que se encontra em frente ao Shopping Anália Franco e abrange aproximadamente 19 mil metros quadrados, tem sido alvo de polêmica devido ao seu valor estimado entre R$ 60 milhões e R$ 100 milhões. O terreno esteve abandonado por décadas, suscetível a invasões e tentativas de grilagem, até que em 2021 a Prefeitura de São Paulo reavê a posse do espaço após uma ação judicial.

Conforme informações apuradas pelo g1, o uso do local pelo circo foi autorizado pela administração municipal, com a condição de que parte dos ingressos fosse destinada a comunidades carentes. Contudo, após uma nova análise da situação, a Companhia Metropolitana de Habitação de São Paulo (Cohab) manifestou interesse em transformar o terreno em um conjunto habitacional voltado para moradia popular.

A decisão da gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) gerou insatisfação entre os moradores locais e grupos comunitários que pedem a construção de um hospital público com maternidade na área. Recentemente, membros do "Movimento Salve Periférico" realizaram protestos reivindicando a implementação desse equipamento público essencial para a comunidade.

Em meio à controvérsia, o subprefeito Rafael Dirvan Martinez Meira justificou que a multa aplicada ao circo se deu pela ausência de alvará, mesmo após três anos de ocupação sem questionamentos anteriores. O órgão ressalta que está aberto ao diálogo com o circo para esclarecer quaisquer dúvidas.

A proposta do hospital é respaldada por um estudo que aponta para uma carência significativa de serviços de saúde na região, onde não há unidades hospitalares municipais disponíveis. A demanda é reforçada pela alta taxa de mortalidade infantil e materna nos distritos vizinhos, destacando a urgência da construção.

Além disso, um projeto para implantar uma horta comunitária no mesmo espaço foi interrompido devido à falta de cumprimento das condições estabelecidas com a empresa responsável. A Subprefeitura agora aguarda o processo formal para registrar o terreno sob posse da Cohab-SP, que planeja edificar cerca de 729 unidades habitacionais na área.

O presidente do Movimento Salve Periférico expressou que, embora não se oponha à construção de moradias populares, há uma necessidade urgente de ouvir as demandas da comunidade em relação à saúde pública. Ele destaca que o pedido por um hospital é uma reivindicação antiga e considera que sua instalação seria benéfica especialmente com a chegada da nova estação de metrô prevista para 2026 nas proximidades.


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