Diário de São Paulo
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Abuso Sexual

Avó transformou netas em fonte de renda em esquema exploração sexual

Investigação do DHPP indica que Denise Moreno, avó de três crianças, comandava um comércio sexual familiar, contando com o apoio do piloto da Latam, Sérgio Antônio Lopes, que abusava das vítimas e ampliava o esquema

Em depoimento, vítima relata ter sido entregue pela avó a três homens para ser abusada - Imagem: Divulgação / Polícia Civil
Em depoimento, vítima relata ter sido entregue pela avó a três homens para ser abusada - Imagem: Divulgação / Polícia Civil

William Oliveira Publicado em 10/02/2026, às 07h41


Uma investigação conduzida pelo Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) e pela 4ª Delegacia de Repressão à Pedofilia culminou, na manhã desta segunda-feira (9), na desarticulação de uma rede estruturada de exploração sexual infantil em São Paulo. Entre os presos estão Denise Moreno, de 55 anos, acusada de comercializar as próprias netas, e o piloto da Latam Sérgio Antônio Lopes, de 60 anos, apontado como um dos principais abusadores e financiadores do esquema.

A prisão de Lopes ocorreu de forma cinematográfica: ele foi detido por agentes da Polícia Civil dentro de uma aeronave no Aeroporto de Congonhas, instantes antes da decolagem de um voo com destino ao Rio de Janeiro. O caso, que tramita sob sigilo, revela detalhes perturbadores sobre a dinâmica do crime.

De acordo com os depoimentos colhidos, Denise Moreno utilizava sua posição de guardiã e sua autoridade familiar para organizar a logística dos abusos, transformando a vida das netas — de 10, 12 e 14 anos — em uma fonte de renda.

Confira o momento em que idosa é presa:

Relatos de testemunhas indicam que as menores eram entregues a homens mais velhos mediante pagamento, muitas vezes sob resistência e choro. Em um dos episódios mais graves narrados à polícia, uma das vítimas teria sido submetida a abusos por três homens simultaneamente, com o pleno consentimento e intermediação da avó, que na época trabalhava como inspetora em uma escola estadual na zona sul da capital.

A figura do piloto Sérgio Antônio Lopes era central para a manutenção do silêncio e a continuidade dos crimes. Identificado pelas crianças como "Tio Sérgio", ele se infiltrava no ambiente familiar como uma figura de confiança, custeando despesas e fornecendo dinheiro à avó em troca do acesso às vítimas. A investigação aponta que Lopes não apenas abusava das meninas, mas também as incentivava a aliciar colegas de escola para a rede. Para garantir a impunidade, o piloto utilizava ameaças e coação, enquanto a estrutura organizada contava com a divisão de tarefas e habitualidade criminosa, operando há pelo menos uma década.

Sérgio Antônio Lopes, de 60 anos, piloto da companhia aérea Latam foi preso dentro de uma aeronave no Aeroporto de Congonhas - Imagem: Divulgação / Polícia Civil
Sérgio Antônio Lopes, de 60 anos, piloto da companhia aérea Latam foi preso dentro de uma aeronave no Aeroporto de Congonhas - Imagem: Divulgação / Polícia Civil

A Operação "Apertem os Cintos" também resultou na prisão em flagrante de uma terceira envolvida, Simone da Silva, após a localização de material de pornografia infantil em seu aparelho celular. Ao todo, foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão nas cidades de São Paulo e Guararema. O inquérito, iniciado em outubro de 2025 após denúncias, aponta para uma lista extensa de crimes, incluindo estupro de vulnerável, favorecimento da prostituição infantil, stalking e armazenamento de material pornográfico.

Atualmente, os investigadores analisam dados telefônicos e materiais apreendidos para identificar outras possíveis vítimas e outros integrantes dessa rede criminosa. O DHPP ressalta que a atuação coordenada entre os suspeitos evidencia uma grave violação à dignidade sexual e humana, onde o ambiente doméstico, que deveria ser de proteção, tornou-se o palco principal da exploração.

Os detidos permanecem à disposição da Justiça para o cumprimento das prisões temporárias enquanto as diligências avançam.

O que diz a Latam?

Em nota oficial, a Latam Airlines Brasil confirmou estar ciente da prisão de seu tripulante e informou que abriu uma apuração interna imediata. A companhia destacou que "repudia veementemente qualquer ação criminosa e reforça que segue os mais elevados padrões de segurança e conduta".

A empresa afirmou ainda estar à disposição das autoridades para colaborar com as investigações.


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