Filiação de deputados tucanos ao partido de Gilberto Kassab irrita aliados do governador e acirra disputa por espaço político

Letícia Sales Publicado em 07/02/2026, às 08h12
A decisão do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, de filiar seis dos oito deputados estaduais do PSDB na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) abriu uma nova crise entre o cacique e os partidos que integram a base do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). O movimento fortalece o PSD no Legislativo paulista, mas gera desconforto entre aliados que veem na ofensiva uma tentativa de ampliar poder político dentro do governo estadual.
Com as novas filiações, o PSD se consolida como a segunda maior bancada da base governista na Alesp, atrás apenas do PL. Nos bastidores do Palácio dos Bandeirantes, a avaliação é de que a estratégia de Kassab incomodou legendas como MDB, PP, Podemos e o próprio Republicanos, que acusam o dirigente de agir de forma unilateral e em benefício do próprio partido.
A iniciativa também reacendeu críticas ao histórico político de Kassab. O presidente nacional do Republicanos, deputado federal Marcos Pereira, afirmou que a atuação do dirigente segue um padrão antigo, lembrando o processo de enfraquecimento do antigo PFL, que acabou se transformando em DEM. Para aliados do governo, Kassab soube ocupar o espaço deixado pela fragilização do PSDB, mas o crescimento do PSD passou a ser visto como uma ameaça interna.
Além da disputa por espaço na Alesp, o movimento intensificou tensões sobre a articulação política do governo paulista. Kassab acumula o cargo de secretário de Governo e Relações Institucionais, o que, na visão de aliados de Tarcísio, amplia a percepção de uso da máquina pública para fortalecimento partidário. Em resposta, o Republicanos ganhou protagonismo com a nomeação de Roberto Carneiro para a Casa Civil, gesto interpretado como tentativa de reequilibrar forças dentro do governo.
Outro ponto sensível envolve o cenário eleitoral nacional. O PSD mantém a intenção de lançar candidatura própria à Presidência da República, o que dificulta o alinhamento automático ao projeto bolsonarista apoiado por Tarcísio. Kassab, inclusive, reuniu em seu partido nomes estratégicos da direita, como Ronaldo Caiado, Ratinho Jr. e Eduardo Leite, ampliando o peso da legenda no debate sucessório.
A crise também alcança a formação da chapa de reeleição de Tarcísio em 2026. O PSD ocupa atualmente a vaga de vice-governador com Felício Ramuth, mas Kassab tem sinalizado que deseja assumir pessoalmente o posto. O governador, no entanto, demonstra preferência por manter Ramuth, com quem construiu relação de confiança ao longo do mandato. Diante do impasse, não está descartada a possibilidade de o vice trocar de partido para permanecer na chapa.
Nos bastidores, a avaliação é de que a filiação em massa dos deputados tucanos deve provocar uma reorganização geral entre as legendas aliadas, com parlamentares e pré-candidatos buscando melhores condições eleitorais. A chamada “dança das cadeiras” já começou e deve se intensificar nas próximas semanas, à medida que as articulações para 2026 avançam.
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