Diário de São Paulo
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Plano Hidroviário

Audiência pública discute o uso do transporte hidroviário nos rios de SP

Implantação do transporte começará pelas represas, seguida pelo Rio Pinheiros, enquanto o Rio Tietê, devido a desafios técnicos, ficará para uma fase posterior

Represa do Guarapiranga - Imagem: Reprodução / Wikipédia
Represa do Guarapiranga - Imagem: Reprodução / Wikipédia

William Oliveira Publicado em 27/11/2024, às 08h00


Nesta quarta-feira (27), será realizada a segunda audiência pública do Plano Hidroviário de São Paulo. O evento tem como objetivo debater o uso dos rios e represas da capital paulista, buscando integrar projetos em andamento e captar novas ideias para o aproveitamento desses corpos d'água, tanto para transporte hidroviário quanto para atividades de lazer.

Entre as iniciativas que podem ser impulsionadas com a conclusão do Plano Hidroviário está a construção de hidrovias nos rios Pinheiros e Tietê. De acordo com Pedro Fernandes, presidente da SP Urbanismo, essas obras são prioritárias dentro do projeto.

Dados do Censo 2022, realizado pelo IBGE, indicam que cerca de 2 milhões de paulistanos residem a menos de um quilômetro de distância de uma futura hidrovia. Se expandirmos esse raio para três quilômetros, o número de habitantes afetados chega a 5,7 milhões. "É importante a gente ter a dimensão do impacto para população, ter esse número em mente", destaca Fernandes.

Inicialmente, a implantação do transporte em represas é tecnicamente mais viável. Em uma fase posterior, o Rio Pinheiros seria priorizado, seguido pelo Rio Tietê, que enfrenta desafios técnicos mais complexos relacionados à qualidade da água e à profundidade. "O Tietê teria dificuldades técnicas maiores, especialmente a qualidade das águas e o calado, a profundidade", observa o presidente da SP Urbanismo.

Fernandes ressalta que a poluição das águas não deve ser um empecilho para o início das operações. "A gente tem um pressuposto que é navegar para limpar. Não dá para esperar limpar para navegar", afirma. O transporte de carga, especialmente sedimentos já presentes nos rios, é uma das primeiras utilidades previstas.

Eventos promovidos pela iniciativa privada ao longo do ano no Rio Pinheiros demonstram que a interação com o público é possível mesmo nas condições atuais das águas.

Quanto ao tempo de deslocamento, as represas Billings e Guarapiranga apresentam maior potencial de melhoria, dado que essas regiões carecem de alternativas como metrô e trens – ao contrário do Rio Pinheiros, onde a linha 9-Esmeralda opera paralelamente.

"A mudança comportamental em relação ao uso dos rios é difícil de prever", admite Fernandes. "Contudo, estamos garantindo que as estações hidroviárias se conectem às principais estações ferroviárias da cidade."

No tocante aos prazos de implementação ou cronogramas específicos para tirar algumas ideias do papel, Fernandes informa que já há iniciativas em andamento, como transporte aquático na Represa Billings e criação de decks e parques aquáticos em áreas estratégicas. Outras ações incluem o programa Veleja São Paulo e o estímulo ao ecoturismo na zona sul da cidade.

"O Plano Hidroviário engloba todos eles e tem um objetivo claro, que é orientar o desenvolvimento urbano sustentável a partir das orlas, conectando essas políticas setoriais", explica Fernandes.

A próxima audiência sobre o PlanHidro ocorrerá às 19h no Hub Green Sampa (Centro de Inovação Verde Bruno Covas), localizado na Rua Sumidouro, 580, em Pinheiros. A primeira sessão foi realizada na semana anterior na zona sul. Cidadãos interessados podem enviar sugestões até 1º de dezembro por meio do portal Participe+.


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