Movimento Brasil Livre vê possível retorno do ex-deputado como estratégico para fortalecer o partido nas eleições de 2026

Letícia Sales Publicado em 15/05/2026, às 09h17
O ex-deputado estadual Arthur do Val acionou o Superior Tribunal de Justiça (STJ) na tentativa de reverter a inelegibilidade imposta pela Justiça Eleitoral. O recurso está sob análise do presidente da Corte, o ministro Herman Benjamin.
Nos bastidores do Movimento Brasil Livre (MBL), a movimentação é tratada como uma possível reviravolta para o partido nas eleições de 2026. A avaliação de integrantes da legenda Missão é de que a eventual volta de Arthur ao cenário eleitoral pode fortalecer o desempenho do grupo nas urnas e ajudar a superar a cláusula de barreira.
Mesmo assim, aliados admitem que o cenário jurídico ainda é difícil. O próprio Arthur do Val tem dito a interlocutores que considera pequena a chance de conseguir derrubar a punição no STJ.
Ao ser questionado pelo portal Metrópoles sobre a possibilidade de disputar o governo paulista, o ex-deputado afirmou que o nome do grupo para a corrida ao Palácio dos Bandeirantes é o deputado federal Kim Kataguiri.
Apesar disso, integrantes do Missão não descartam uma eventual candidatura de Arthur caso ele recupere os direitos políticos.
“Espero que ele retome os direitos políticos, pois foi julgado sem direito de defesa, cassado sem crime e absolvido na Justiça. Retomando os direitos políticos, pode ser, sim, um nome para o governo”, declarou Renato Battista.
Battista é um dos responsáveis pela articulação das chapas do partido em São Paulo e atua atualmente na liderança da sigla na Assembleia Legislativa paulista.
Arthur do Val teve o mandato cassado pela Alesp em maio de 2022 após o vazamento de áudios considerados sexistas sobre mulheres ucranianas durante uma viagem à Ucrânia, em meio à guerra contra a Rússia. A decisão tornou o ex-parlamentar inelegível até 2030.
Nos bastidores da política paulista, uma possível candidatura ligada ao MBL também é observada com atenção pelo PT. Integrantes da pré-campanha do ex-ministro Fernando Haddad avaliam que nomes da direita fora da base do governador Tarcísio de Freitas podem fragmentar o eleitorado conservador no estado.
Entre os nomes analisados por aliados petistas está o ex-prefeito de Santo André Paulo Serra, embora exista a avaliação de que ele possa desistir da disputa para apoiar Tarcísio.
Já o Missão, partido criado por integrantes do MBL, é visto como uma legenda que precisa ganhar visibilidade nos principais colégios eleitorais e ampliar sua presença política em São Paulo.
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