O dispositivo, conhecido como "Sarco", permite que indivíduos tirem suas próprias vidas sem necessidade de auxílio médico

William Oliveira Publicado em 25/09/2024, às 10h09
Nesta terça-feira (24), autoridades suíças prenderam diversas pessoas, após uma mulher utilizar uma cápsula de assistência ao suicídio. O dispositivo, conhecido como "Sarco", tem a forma de um sarcófago e permite que indivíduos tirem suas próprias vidas sem necessidade de auxílio médico.
Embora o suicídio assistido sob supervisão médica seja permitido na Suíça dentro de critérios rigorosos, a cápsula utilizada não está em conformidade com as leis vigentes e não possui autorização para operação no país. Esta foi a primeira ocorrência documentada do uso do dispositivo, segundo jornalistas da mídia local.
A "Sarco" possui um design futurista e é equipada com um botão que libera nitrogênio, induzindo perda de consciência em segundos e resultando na morte em pouco tempo. A primeira pessoa a utilizar o dispositivo foi uma mulher norte-americana de 64 anos, conforme anunciado pela associação The Last Resort, promotora da cápsula.
De acordo com a entidade, a mulher sofria há anos de graves problemas relacionados a uma severa deficiência imunológica. Florian Willet, copresidente da The Last Resort, estava presente durante o procedimento e descreveu a morte como "pacífica, rápida e digna". O evento ocorreu em uma área florestal privada.
No momento a polícia suíça abriu uma investigação criminal por incitação e assistência ao suicídio. A cápsula foi apreendida e o corpo da mulher submetido à autópsia.
Invenção controversa
O dispositivo Sarco foi criado pelo australiano Philip Nitschke, ex-médico conhecido por suas opiniões polêmicas sobre eutanásia. A cápsula é uma pequena cabine violeta com rodas, onde o usuário se deita e responde a uma série de perguntas para confirmar seu entendimento antes de ativar o mecanismo de liberação do nitrogênio.
Apesar das intenções dos criadores em introduzir o dispositivo na Suíça desde julho, a ministra do Interior suíça, Elisabeth Baume Schneider, declarou na segunda-feira (23) que a "cápsula de suicídio Sarco não está em conformidade com a lei". Ela apontou falhas nos "requisitos de segurança dos produtos" e incompatibilidade com a legislação sobre produtos químicos.
Fiona Stewart, advogada e membro do conselho consultivo da The Last Resort, afirmou que a organização sempre agiu com base em aconselhamento legal. Desde 2021, os advogados da associação consideravam legal o uso da Sarco na Suíça.
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